2024 bate recorde e supera 1,5°C de aquecimento global

O descumprimento anual do limite de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris é um sinal precoce e preocupante de que podemos ultrapassar o limite a longo prazo

O Instituto Copernicus, da União Europeia, responsável por pesquisas sobre mudanças climáticas, informou nesta sexta (10) que 2024 foi o primeiro ano na história em que as temperaturas globais ultrapassaram 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. O nível de aquecimento global é considerado pelo Acordo de Paris a fronteira crítica entre um planeta habitável e um cenário de risco elevado. Em 2024, os termômetros registraram uma média de 1,6°C acima dos valores observados entre 1850 e 1900, período anterior à intensificação da queima de combustíveis fósseis.

O ano foi marcado por recordes mensais sucessivos de temperatura, consolidando 2024 como o ano mais quente já registrado, conforme confirmado também pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Nível de aquecimento gerado pelos gases de efeito estufa reforça impactos das mudanças climáticas e reforça necessidade de redobrar esforços para conter aumento da temperatura global
Nível de aquecimento reforça impactos das mudanças climáticas e reforça necessidade de redobrar esforços para conter aumento da temperatura global | Imagem: Freepik

A relevância do limite de aquecimento global

No Acordo de Paris, os países envolvidos concordaram em reduzir substancialmente as emissões globais de gases de efeito estufa para que o aumento da temperatura média global da superfície a longo prazo seja mantido bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para limitá-lo a 1,5°C.

De acordo com a ONU e a Organização Metereológica Global, o descumprimento mensal ou anual do limite de 1,5°C não significa que o mundo tenha falhado em atingir a meta de temperatura do Acordo de Paris, que se refere a um aumento de temperatura a longo prazo ao longo de décadas, e não a meses ou anos isolados. As temperaturas de qualquer mês ou ano podem flutuar devido à variabilidade natural, incluindo os fenômenos El Niño/La Niña e erupções vulcânicas. Por isso, as mudanças de temperatura a longo prazo geralmente são avaliadas em escalas temporais de décadas.

Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono
Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono | Foto: wirestock/Freepik

No entanto, exceder os níveis de aquecimento global 1,5°C em um mês ou ano, como em 2024, é um sinal precoce de que estamos perigosamente próximos de ultrapassar o limite de longo prazo e serve como um chamado urgente para aumentar a ambição e acelerar as ações nesta década crítica.

“Vimos temperaturas extraordinárias na superfície da terra e do mar, calor extraordinário no oceano, acompanhados por condições climáticas muito extremas que afetaram muitos países ao redor do mundo, destruindo vidas, meios de subsistência, esperanças e sonhos”, disse uma porta-voz da OMM em coletiva de imprensa.

Carlo Buontempo, diretor do Instituto Copernicus, alertou em conversa à agência Reuters que o aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa pode tornar inviável a meta estabelecida pelo Acordo de Paris em breve, mas que ainda há tempo para que os países reduzam rapidamente a liberação de CO2 e evitem que o aquecimento global se intensifique ainda mais. “Temos o poder de mudar a trajetória de agora em diante”, afirmou Buontempo.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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