Estudo internacional investiga como composto vegetal pode reduzir os efeitos colaterais do tratamento da leucemia e ampliar a resposta à quimioterapia.
Pesquisadores britânicos identificaram uma molécula de origem vegetal com potencial para ampliar a eficácia das terapias atuais contra uma das formas mais agressivas de leucemia. Trata-se da forskolina, extraída de plantas do gênero Coleus,- como as conhecidas Boldo-da-Terra (Plectranthus barbatus) e Espanta-Gatos (Plectranthus caninus), que demonstrou dupla ação contra a leucemia mieloide aguda com rearranjo do gene KMT2A (LMA KMT2A-r), tipo raro e de difícil tratamento da leucemia.
O estudo, publicado no British Journal of Pharmacology, mostra que a forskolina não apenas inibe a proliferação das células leucêmicas, como também aumenta a eficácia da quimioterapia padrão. Os testes revelaram que a substância torna as células cancerígenas mais sensíveis à daunorrubicina, um dos principais medicamentos usados no tratamento da leucemia mieloide aguda.
Segundo a equipe da Universidade de Surrey, esse efeito ocorre por dois mecanismos distintos. Primeiro, a forskolina ativa a enzima PP2A e reduz a expressão de genes ligados ao câncer, como MYC, HOXA9 e HOXA10. Além disso, a forskolina atua sobre a glicoproteína P-1, que normalmente permite que células tumorais expulsem medicamentos quimioterápicos. Ao bloquear essa ação, ela aumenta a concentração do fármaco dentro das células doentes, ampliando sua eficácia.
“Essa combinação pode permitir o uso de doses mais baixas de quimioterapia, minimizando efeitos colaterais sem comprometer a eficácia do tratamento”, explica a professora Maria Teresa Esposito, líder da pesquisa.
O estudo é resultado de uma colaboração entre universidades do Reino Unido e da Espanha, com apoio da organização Leukemia UK, que destacou a importância de pesquisas inovadoras para dobrar as taxas de sobrevida da LMA nos próximos anos.
A descoberta abre caminho para novos ensaios clínicos e reforça o potencial de compostos naturais como aliados no tratamento da leucemia e na busca por terapias menos agressivas.