A transição energética no Brasil avança nas residências com energia solar e mobilidade elétrica, enquanto perdas na rede e subsídios fósseis limitam o impacto das escolhas individuais.
A transição energética no Brasil tem impactado o cotidiano dos consumidores. Nos últimos anos, o perfil do usuário de energia começou a se transformar. Com o avanço da geração distribuída, especialmente a solar, cresce o número de residências que produzem parte da própria eletricidade e compartilham o excedente com a rede.
Dados do Ministério de Minas e Energia e da Empresa de Pesquisa Energética indicam que o setor residencial já alcança cerca de 72% de renovabilidade na matriz elétrica. Mais do que redução de custos, a autoprodução passou a ser entendida como estratégia de proteção diante de bandeiras tarifárias e eventos climáticos extremos.
A eletrificação amplia esse movimento. Em 2024, o país registrou uma alta de quase 90% no emplacamento de veículos eletrificados leves. A tendência é que a mobilidade elétrica ganhe ainda mais espaço na próxima década, fortalecendo a transição energética no Brasil também no setor de transportes.
Nesse contexto, as residências passam a funcionar como ponto de abastecimento e tecnologias como o Vehicle-to-Grid (V2G) permitem que baterias automotivas forneçam energia de volta à rede nos horários de maior demanda. Apesar de o país já contar com mais de 12 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, a infraestrutura em condomínios ainda é um entrave regulatório.
Outro avanço é o modelo de “energia como serviço”, no qual empresas instalam e operam sistemas de geração ou eficiência mediante pagamento mensal, medidores inteligentes e aplicativos nesse ramo oferecem maior controle sobre o consumo e estimulam decisões mais informadas.
Apesar do protagonismo maior do consumidor, os limites são evidentes. O investimento global em transição energética atingiu US$ 2,3 trilhões em 2025, mas a modernização das redes de distribuição avança em ritmo inferior. No Brasil, as perdas técnicas na rede e as ineficiências industriais concentram a maior parcela do desperdício de energia, segundo a FIESC.
Os altos subsídios anuais a combustíveis fósseis também pressionam os preços da energia limpa. Esses dados mostram que embora a transição energética no Brasil dependa do engajamento individual, ela está condicionada a decisões regulatórias, infraestrutura e políticas públicas.