Toffoli pede vista e paralisa julgamento sobre liminar que retomou proteção de cavernas

Pedido suspende julgamento do STF sobre mérito da medida cautelar assinada por Lewandowski que devolve a proteção às cavernas de máxima importância

Nesta segunda-feira (21), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli pediu vista do julgamento sobre a medida cautelar que suspendeu parcialmente os efeitos do decreto presidencial nº 10.935/22, que flexibiliza a proteção das cavernas brasileiras. Com a ação de Toffoli, fica paralisada a sessão virtual, que havia sido iniciada na última sexta-feira (18). Antes do julgamento ser suspenso, dois ministros haviam votado favoráveis à liminar, Ricardo Lewandowski, relator do processo, e Cármen Lúcia. A liminar, entretanto, segue em vigor enquanto não for concluído o julgamento.

A medida cautelar foi concedida por Lewandowski no final de janeiro e promoveu, em caráter liminar, a retomada da proteção das cavidades de máxima relevância e suas áreas de influência (uma faixa de 250 metros no entorno da caverna) que voltam a ser consideradas “intocáveis” por impactos de empreendimentos, como determinava a legislação anterior. 

decreto assinado por Jair Bolsonaro no começo de janeiro permitia que as cavidades de máxima relevância fossem exploradas e pudessem ser afetadas de forma irreversível por empreendimentos, mediante parecer favorável do órgão licenciador.

Em seu voto pela manutenção da liminar, Lewandowski reforçou a importância de intervir de forma cautelar pela suspensão do decreto pelo “fundado receio de danos irreparáveis relacionados à revogação de normas protetivas dos ecossistemas e da biodiversidade das cavidades naturais subterrâneas e à inclusão de dispositivos no ordenamento jurídico brasileiro que autorizam a exploração de cavernas com grau de relevância máxima, inclusive nos casos de impactos negativos irreversíveis”.

De acordo com o regimento interno do STF, existe um prazo para os ministros devolverem o processo pro plenário de 30 dias, prorrogáveis por igual período. Entretanto, não existe consequência se o prazo não for cumprido e é comum que pedidos de vista possam se estender por meses e até anos. 

A sessão tem como objetivo apenas julgar o mérito da medida cautelar determinada por Lewandowski. Sua paralisação, entretanto, provavelmente irá protelar o julgamento direto das ADPFs 935 (protocolada pela Rede Sustentabilidade) e 937 (pelo Partido Verde), ambas sobre a inconstitucionalidade do decreto de Bolsonaro, que tramitam juntas no STF.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O Brasil descobriu que gerar energia limpa não basta

O primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento marca...

Onda de calor nos EUA pode quebrar mais de 90 recordes nesta semana 

Onda de calor nos EUA pode quebrar mais de 90 recordes, manter noites acima de 27°C, ampliar riscos à saúde e pressionar serviços de emergência.

Eleições na Amazônia 2026: Pará chega às urnas com legado ambiental marcado por avanços e contradições

Pará chega às eleições de 2026 com avanços na bioeconomia, queda recente do desmatamento, mas impasses sobre petróleo e povos indígenas.

Mutirão: a metodologia amazônica para equacionar entraves

A Amazônia desenvolveu, ao longo de séculos, uma tecnologia...