Com eficiência de 98%, tijolos térmicos podem cortar 40 mil toneladas de CO₂ por ano

Setores difíceis de descarbonizar encontram nos tijolos térmicos uma solução escalável, segura e eficiente para cortar emissões e impulsionar a sustentabilidade.

Na busca por alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis na indústria, os tijolos térmicos surgem como um aliado. A tecnologia desenvolvida pela norte-americana Rondo Energy transforma blocos refratários em baterias capazes de armazenar calor a partir de fontes renováveis e entregá-lo de forma estável para processos industriais.

O sistema, chamado Rondo Heat Battery, funciona de maneira simples: eletricidade gerada por energia solar ou eólica aquece os tijolos térmicos a temperaturas que chegam a 1.500 °C. Esse calor fica retido e pode ser liberado quando necessário, substituindo caldeiras movidas a carvão ou gás natural.

Chaminés de fábrica lançando fumaça escura, ilustrando poluição de indústrias a carvão.
Produção industrial a carvão ainda responde por grande parte das emissões globais de gases de efeito estufa. Foto: Mark Wilson/Getty Images.

Atualmente, há dois modelos em operação: o RHB100, com capacidade de 100 MWh, e o RHB300, que alcança 300 MWh. Com eficiência próxima a 98% e durabilidade superior a quatro décadas, a solução se mostra competitiva frente a tecnologias como hidrogênio verde ou baterias químicas.

Modelo simulado da bateria térmica RHB100 da Rondo Energy, com capacidade de 100 MWh.
Simulação do RHB100, um dos modelos de bateria de tijolos térmicos em operação, capaz de fornecer calor contínuo à indústria pesada. Foto: Divulgação/Rondo Energy.

O impacto climático é expressivo. Cada unidade instalada pode evitar a emissão de até 40 mil toneladas de CO₂ por ano, beneficiando especialmente setores de difícil descarbonização, como cimento, aço e metalurgia. Investidores como Microsoft, Aramco Ventures e H&M já apostaram na inovação, que também será testada em Portugal em parceria com a EDP.

Além do baixo custo, a escolha por materiais comuns como tijolos térmicos e ferro elimina riscos de explosão e problemas de degradação, limitações frequentes em outras soluções. Com projetos que já somam 3 GWh de capacidade, a Rondo Energy aposta que a simplicidade pode ser a chave para descarbonizar a indústria pesada e acelerar a transição energética global. Em 2023, a empresa iniciou a primeira operação comercial e firmou acordo com o Siam Cement Group, na Ásia, para produzir até 90 mil unidades por ano.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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