Tecnologia que permite diferenciar plásticos em 3s já ajudou a reciclar 30 mil toneladas do material

Diferenciar plásticos é essencial para a reciclagem, já que cada tipo possui uma composição diferente e particularidades específicas no processo

A reciclagem é a melhor solução para reduzir a poluição plástica, mas, para que seja eficiente, é essencial identificar corretamente o tipo de plástico. Para facilitar essa triagem, a BASF, maior produtora de produtos químicos do mundo, desenvolveu o trinamiX PAL One, um dispositivo portátil capaz de identificar 30 tipos diferentes de plástico. O equipamento, um espectrômetro, usa luz infravermelha para analisar os componentes dos materiais, tornando a separação mais rápida e precisa.

Essa tecnologia é de grande importância para trazer mais segurança e precisão ao processo, visto que materiais como PET (usado em garrafas plásticas), PVC (presente em brinquedos e canos) e outros, como PEAD, PEBD e BPA, possuem composições diferentes e exigem processos específicos de reciclagem.

Em 2024, o espectrômetro contribuiu com a reciclagem de 15 a 30 mil toneladas de plástico no país, na Argentina e na Colômbia.

Só no estado do Rio de Janeiro, são R$ 766 milhões em plástico perdidos pela falta de apoio adequado à cadeia de reciclagem desse resíduo.
Só no estado do Rio de Janeiro, são R$ 766 milhões em plástico perdidos pela falta de apoio adequado à cadeia de reciclagem desse resíduo | Foto: Mart Production

Antes da invenção do novo dispositivo, a única forma de diferenciar plásticos era queimando o material para observar a chama e o pingo do plástico derretido, um processo arriscado que poderia causar incêndios e intoxicações, dependendo do tipo de material.

Além disso, a tecnologia se destaca pela agilidade, pois, conectado a um celular, o dispositivo analisa os dados do plástico em menos de três segundos. Isso permite que cooperativas negociem rapidamente os produtos com vendedores, impulsionando a economia circular.

Aplicação prática e portabilidade

De acordo com Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia da BASF para a América do Sul, o principal avanço do projeto foi a redução do tamanho do espectrômetro. Isso permitiu que o dispositivo deixasse de ser restrito a laboratórios e pudesse ser transportado para centros de reciclagem, facilitando seu uso por cooperativas e ONGs.

“O primeiro protótipo era do tamanho de uma caixa de sapato. A portabilidade veio com a terceira geração do aparelho. Hoje, estamos no quarto modelo, que tem integração com o celular”, afirma Sato.

Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia da Basf para América do Sul, empresa criadora da tecnologia para diferenciar plásticos.
Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia da Basf para América do Sul, empresa criadora da tecnologia para diferenciar plásticos — Foto: Divulgação

Atualmente, a BASF possui seis espectrômetros em operação na América Latina, sendo que três deles estão no Brasil. Um dos exemplos de uso é a cooperativa Viva Bem, em São Paulo, onde o projeto é desenvolvido em parceria com a Braskem.

Cada dispositivo custa aproximadamente R$ 8 mil e, além do investimento inicial, é necessário pagar uma assinatura para utilizar o serviço.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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