Seria bom se a ciência fosse mais adotada na Mobilidade de Manaus

O desafio é querer fazer mais com menos. Refletir, simular, fazer engenharia e construir um projeto de solução gastando a menor quantidade de recursos possível. Engenharia é isso. Mãos a obra com pouco recurso.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Seria bom se a Arquitetura, Urbanismo, Engenharia Civil, Engenharia de Transportes, Pesquisa Operacional e a Computação fossem amplamente usadas em conjunto para enfrentar os problemas de trânsito e Mobilidade Urbana de Manaus. Isso reduziria os custos da cidade, tanto em tempo, quanto em dinheiro. Seria muito bom. Há tantas oportunidades para isso, mas as soluções adotadas são as mesmas de décadas passadas, como se as mentes estivessem presas num tempo que já se foi. Apenas um exemplo: viadutos são soluções do passado para áreas urbanas.

Augusto Cesar
Augusto Cesar Barreto Rocha é Professor da Universidade Federal do Amazonas

Seria bom se usássemos a ciência contemporânea para enfrentar nossos problemas de trânsito. O que vemos hoje na pandemia, com o uso de crendices e de soluções sem comprovação para o combate do grande desafio que se impõe, já acontece faz anos em outro campo que mata as nossas vidas aos poucos, pois muitos de nós gastamos um tempo absurdamente grande nos locomovendo nas cidades. Milhares de vidas estão sendo perdidas na pandemia e milhões de horas são perdidas dia após dia em diversas cidades do país, simplesmente por não usar as ferramentas mais adequadas para tratar os problemas de mobilidade urbana.

Apenas um exemplo: seria bom se na interseção da Rua Pará com a Av. Djalma Batista houvesse uma direita livre, sem o semáforo e sem a oportunidade de o veículo cruzar a via. Isso simplificaria aquele fluxo. Solução semelhante poderia ser feita em todas as demais interseções da avenida, com pequenas mudanças, mas partindo do mesmo conceito. Para fazer isso será necessário um esforço de simulação, de modelagem, de testes operacionais e pouquíssimas obras, que, quando executadas, terão baixo impacto na execução e no custo, comparativamente ao enorme benefício potencial. A Av. Djalma Batista pode se tornar um corredor viário que só seria parado em alguns instantes para a travessia de pedestres.

Manaus pode ser mais inteligente. Mas precisa querer. Que tal um hackathon para discutir a Avenida Djalma Batista? Deixo aqui o convite para a Prefeitura de Manaus considerar a análise detida do problema. Pode ser que a hipótese seja válida. O desafio é querer fazer mais com menos. Refletir, simular, fazer engenharia e construir um projeto de solução gastando a menor quantidade de recursos possível. Engenharia é isso. Mãos a obra com pouco recurso. Um viaduto em cada interseção é caro, feio, demorado e desnecessário. Um total desperdício. Como melhorar o trânsito sem viadutos? A oportunidade existe e é realizável.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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