RS aposta na erva-mate para criar créditos de carbono

A ideia é que o potencial de sequestro de carbono das áreas contempladas pelo projeto da erva-mate seja convertido em linhas de custeio para sistemas agroflorestais

O tradicional cultivo de erva-mate no Rio Grande do Sul pode tornar-se parte do mercado mundial de créditos de carbono. A proposta é de uma iniciativa conjunta entre a Livelihoods Funds, Fundação Solidaridad e Emater, que pretendem abranger 10 mil hectares com o projeto em três polos ervateiros do estado: Missões/Celeiro, Alto Uruguai e Nordeste Gaúcho.

De acordo com Gabriel Dedini, gerente de Programas de Café e Erva-Mate da Fundação Solidaridad, a proposta envolve uma parceria na qual os agricultores cedem os créditos de carbono gerados em suas propriedades como contrapartida aos investimentos recebidos em mudas, insumos, materiais, serviços e assistência técnica.

Folhas de erva-mate colhidas no município da Lapa, PR em agosto de 2017.
Folhas de erva-mate colhidas no município da Lapa, PR em agosto de 2017 | Foto: Edelberto Gebauer/Embrapa

O financiamento virá do Livelihoods Funds, uma iniciativa sediada na França que reúne grandes empresas para fomentar a agricultura de baixo carbono. Dedini explica ao Agro Estadão que o risco do projeto recai inteiramente sobre o investidor caso as áreas não atinjam o potencial esperado de sequestro de carbono, garantindo um modelo de apoio sustentável aos agricultores.

Projeto em prática

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) apresentou a proposta do projeto à Câmara Setorial da Erva-mate, composta por diversas associações de produtores do Rio Grande do Sul. O próximo passo será a realização de um diagnóstico inicial nos três polos ervateiros escolhidos — Missões/Celeiro, Alto Uruguai e Nordeste Gaúcho — para avaliar o potencial de expansão territorial e o nível de engajamento dos agricultores e organizações do setor.

O diagnóstico tem como objetivo atrair, até 2026, um investimento de uma organização francesa que busca subsidiar projetos de restauração de paisagens. A iniciativa considera a erva uma espécie nativa da Mata Atlântica no Sul do Brasil, valorizando seu papel na recuperação ambiental e no cultivo sustentável.

“A ideia é que o potencial de sequestro de carbono das áreas contempladas pelo projeto seja convertido em linhas de custeio para a implantação de sistemas agroflorestais e para o fornecimento de assistência técnica focada nas melhores práticas e no monitoramento de indicadores socioambientais ao longo de 20 anos”, afirma Dedini.

Para que serve a erva-mate?

RS aposta na erva-mate para criar créditos de carbono.
RS aposta na erva-mate para criar créditos de carbono | Foto de Matias Megapixel em Unsplash

A erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma árvore nativa da América do Sul que pode atingir entre 12 e 16 metros de altura em seu estado natural, sendo cultivada principalmente na zona subtropical da região. Suas folhas são amplamente utilizadas para preparar infusões populares, como o chimarrão, o tereré e o mate cozido, muito apreciadas pelos povos sul-americanos.

A planta tem origens ligadas ao povo indígena guarani, que habitava desde a Amazônia até a região do Rio da Prata. Sua história remonta a tempos antigos, refletindo sua importância cultural e tradicional na América do Sul.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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