Rio vê indústria de óleo e gás como vantagem competitiva para hidrogênio e eólicas offshore

Governo estadual aguarda regulamentação federal antes de definir sua própria regulação para H2V e eólicas offshore

Por Luiz Fernando Manso epbr

RIO — O Rio de Janeiro aposta na existência de uma indústria de óleo e gás consolidada como uma vantagem competitiva para a transição energética do estado em direção à geração de energia eólica offshore e à produção de hidrogênio. O governo fluminense enxerga um potencial de atração de investimento da ordem de US$ 85 bilhões na geração de energia em alto mar, mas vai esperar a regulamentação federal antes de construir sua própria regulação estadual para o setor.

O Rio conta com a infraestrutura de rodovias, portos, gasodutos e a proximidade dos grandes centros de carga para atrair investimentos para a eólica offshore e a produção de hidrogênio verde e azul — e, assim, atingir a meta de se tornar um estado carbono neutro até 2045.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do governo estadual promoveu nesta quinta-feira (7/7) um encontro com potenciais investidores — como BH2, bp, Equinor, Petrobras e TotalEnergies — para mostrar os estudos sobre o potencial eólico offshore do estado.

De acordo com a secretaria, o Rio possui hoje nove projetos em fase de licenciamento no Ibama que totalizam 27,5 GW de potência e investimento estimados de US$ 85 bilhões. Como alguns desses projetos estão em áreas sobrepostas, nem todos serão concretizados, explicou o subsecretário de Petróleo e Gás do Rio, Daniel Lamassa.

“De qualquer maneira, o nosso potencial é imenso. Além da infraestrutura que temos,  somos o maior produtor de gás natural do país. Isso é muito relevante para o investidor que deseja produzir hidrogênio azul, que tem no gás a sua principal matéria-prima”, disse.

Governo do Rio e empresas esperam o sinal de Brasília

Além de mostrar o potencial do Estado, o subsecretário se reuniu com potenciais investidores para ouvir as demandas do setor.

Os agentes econômicos destacaram a necessidade de consolidação da regulação — assunto ainda pendente na esfera federal. E também pediram a avaliação de mecanismos de financiamento e incentivo fiscal e mais celeridade no licenciamento ambiental.

“Estamos esperando a regulação federal sair para podermos definir a nossa e atuarmos na atração de investimentos para a geração de energia eólica offshore e na produção de hidrogênio”, afirmou Lamassa.

O governo fluminense entende que o Rio possui vantagens competitivas, como a oferta de gás natural para a produção de hidrogênio e uma indústria offshore desenvolvida.

“O Rio tem a grande vantagem de ter uma indústria do petróleo e uma indústria naval muito fortes. Isso vai nos permitir utilizar a mão de obra especializada na construção de barcos de apoio e logística, assim como permitirá que a Petrobras, por exemplo, tenha eólicas offshore em suas concessões de petróleo e gás, e possa produzir energia elétrica para as suas plataformas”, destacou o subsecretário.

O hidrogênio permitirá a produção de amônia e outros fertilizantes, além de gás para a conservação de grãos, carnes, vegetais e outros produtos.

“A amônia é muito requisitada hoje no mundo. Nós poderemos exportá-la ou utilizá-la aqui mesmo no Brasil, na agroindústria”, comentou.

Texto publicado originalmente em EPBR 07/07/2022

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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