Reforma Tributária é aprovada no Senado: Novo rumo para a economia brasileira?

Com 53 votos a favor, a reforma tributária busca simplificar impostos e modernizar o sistema fiscal do Brasil. O texto, que agora retorna à Câmara para novas discussões, promete impactar significativamente a política econômica do país

Nesta quarta-feira (8), o Senado Federal brasileiro aprovou a reforma tributária. Durante as duas fases de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) obteve 53 votos a favor e 24 contra.

Para que a aprovação fosse alcançada, era essencial o suporte de no mínimo 49 senadores em cada fase do processo.

Reforma Tributária é aprovada no Senado: Novo rumo para a economia brasileira?
Placar de votação da reforma tributária no Senado — Foto: Vinícius Cassela/g1

Subsequentemente, a medida será reenviada para a Câmara dos Deputados para uma nova série de debates. Essa necessidade surgiu devido às modificações feitas pelo relator, o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que alterou o conteúdo originalmente aprovado pela Câmara.

Eduardo Braga foto Marcelo Camargo Agencia BRASIL
Eduardo Braga – foto: Marcelo Camargo

Detalhes da Reforma

A reforma em questão busca a simplificação de tributos em níveis federal, estadual e municipal. Além disso, propõe a possibilidade de tratamentos fiscais diferenciados para setores com alíquotas mais baixas, como serviços de educação, medicamentos, transporte coletivo de passageiros e produtos agropecuários.

A proposta também introduz um Imposto Seletivo — conhecido como “imposto do pecado” — com o objetivo de desencorajar o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Garante, ainda, isenção tributária para produtos da cesta básica.

Conforme a PEC, cinco tributos serão substituídos por dois Impostos sobre Valor Agregado (IVAs), sendo um administrado pela União e o outro gerenciado conjuntamente por estados e municípios:

  • Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS): Este imposto, gerido pelo governo federal, irá consolidar o IPI, PIS e Cofins em uma única taxa.
  • Imposto sobre Bens e Serviços (IBS): Com administração conjunta de estados e municípios, este imposto unificará o ICMS, de natureza estadual, e o ISS, de âmbito municipal.

Impacto no mercado financeiro e política econômica

A sanção da reforma tributária é vista como crucial para atenuar as incertezas do mercado financeiro quanto à gestão econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A promulgação, que é o ato de tornar o texto parte da Constituição, dependerá da harmonia entre as decisões da Câmara e do Senado em relação ao conteúdo da proposta. É necessário que o texto aprovado seja idêntico em ambas as casas legislativas.

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A Avenida Faria Lima, onde se concentra grande parte do mercado financeiro do Brasil – foto: Germano Luders/Exame

Na prática, isto implica que, se persistirem discrepâncias em cada revisão do texto por uma das casas, a PEC precisará ser reanalisada até que haja concordância mútua.

Perspectivas e estratégias do Congresso

Embora a equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, tenha expectativas de que o texto seja integralmente promulgado até o final deste ano, alguns parlamentares consideram a possibilidade de “fatiar” a proposta. Com isso, as partes do texto que obtiverem consenso entre deputados e senadores seriam transformadas em lei, enquanto o restante continuaria em tramitação no Congresso.

Deliberações dos Destaques de Votação

Durante a votação da reforma tributária, os parlamentares avaliaram quatro destaques, que são emendas sugeridas ao texto-base a serem votadas pelo plenário inteiro, não somente pelo relator.

  • Um destaque relacionado à distribuição de royalties de petróleo entre os estados, proposto pelo sen. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi retirado por ele mesmo.
  • Dois outros destaques, um sobre limitar as alíquotas em 20% e outro sobre revisão anual, foram rejeitados.
  • A proposta do sen. Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que propõe a expansão do uso do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Estado do Amazonas para incluir Amapá, Acre, Rondônia e Roraima, foi aceita pelo relator e aprovada por 68 votos a favor e um contra. Este fundo será estabelecido e gerido pela União.

Apesar da tentativa do autor em retirar esta proposta, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), manteve a votação, resultando na aprovação da proposta.

Reforma Tributaria Congresso foto Lula Marques Agencia Brasil
Brasília (DF) 03/08/2023 Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, entrega do texto da Reforma Tributária ao Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco. Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Principais aspectos da Reforma Tributária

A reforma tributária aborda diversos pontos-chave, que incluem:

  • Criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
  • Fase de transição para implementação do novo sistema tributário.
  • Determinação das alíquotas dos impostos e uma ‘trava’ para limitá-las.
  • Disposições sobre a cesta básica e a introdução de um sistema de ‘cashback’.
  • Estabelecimento de alíquotas reduzidas para certos setores.
  • Previsão de isenções fiscais.
  • Tratamentos diferenciados para certos setores ou produtos.
  • Introdução do chamado imposto do ‘pecado’, voltado para produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
  • Aspectos relacionados à tributação da renda e do patrimônio.
  • Estabelecimento do Fundo de Distribuição de Receitas (FDR) e um fundo de compensação.
  • Gestão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
  • Disposições sobre entidades religiosas e financiamento de passagens.
  • Regulamentações relacionadas à Zona Franca de Manaus.
  • Incentivos para a indústria automobilística.
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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