Raiz do atraso: a armadilha dos incentivos eternos

Manaus poderia ser o centro da Amazônia

Há um desvio de atenção da natureza da nossa região: uma preocupação constante com as minúcias das leis e regras que permitem incentivos. Empreender na região, ignorando os incentivos é impossível, pois não há nem mesmo asfalto para as ruas da área mais produtiva de empregos e impostos hoje e ontem. Imagine o apoio que há para as ações empresariais que gerarão riqueza somente em cinco ou dez anos.

Empreender no Amazonas é quase uma provocação aos governos, que buscam diversas formas para fazer o empresário mudar de ideia. Há uma atenção excessiva aos interesses de governos e empresas multinacionais, colocando de lado as problemáticas locais, para uma gestão centrada nas necessidades de empresas estrangeiras, desqualificando e desprivilegiando o capital local, por sua insignificância econômica, frente aos pesados jogadores globais.

Oportunidades pouco exploradas

As oportunidades da natureza e da biodiversidade foram transformadas em prioridades para descontos em impostos. Não há outras contrapartidas, como a infraestrutura para viabilizar qualquer produção. A transformação desta realidade será possível quando em Manaus existir uma quantidade expressiva de indústrias de capital local, que utilizem recursos da natureza da região. Esta indústria precisa investir aqui o lucro, o que não acontece hoje, uma vez que, naturalmente, o lucro é remetido para a fonte dos investimentos, como é normal no Capitalismo.

O que precisa ser feito?

As vitórias da região deveriam ser a conquista de mercados globais: a primeira tonelada de tambaqui exportada para a Inglaterra ou 1 milhão de litros de açaí atingindo os mercados da Oceania. Outros caminhos são os fármacos curando o câncer ou a estrutura de teias de aranha evitando que balas atinjam soldados das Nações Unidas em combates na África ou Oriente Médio.

Entusiasmar os sistemas locais de inovação e empreendedorismo com a riqueza local, com apoio intenso de capital e conhecimento é o que precisa ser feito. Isso é bem diferente de migalhas e quilos de regras para catar taxas, contribuições, impostos e subornos, em um território repleto de reservas e regras impossíveis de serem cumpridas. Alterar esta realidade me parece uma das saídas viáveis para nosso desenvolvimento: um PIM Verde. Enquanto isso não acontece, precisaremos do PIM Marrom e encontrar para já os botões da Indústria 4.0. Entretanto, não está aqui a solução dos problemas históricos de Manaus, pois precisamos uma forma de gerar riquezas sem incentivos fiscais.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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