Manaus: aeroporto público ou privado

A pergunta deveria ser outra: o que falta para o aeroporto de Manaus ajudar mais no desenvolvimento? As respostas desta pergunta devem ser apresentadas para o gestor atual, o Governo Federal. Com isso, ele tomará a decisão sobre como pode ser conduzido o próximo passo: pela Infraero ou por uma concessão. O que pode ser feito hoje para o Aeroporto de Manaus ter maior importância? Enfrentar cada um destes desafios é o que nos interessa.

Voos na região

Uso mais intensivo do aeroporto como concentrador de voos na região. Menor ICMS para o combustível e menor custo operacional para as companhias aéreas, pelo menos para aquelas que operarem massivamente no aeroporto. Incentivos econômicos para viabilizar a oferta. A demanda virá pela atratividade empresarial e não pela ação direta do estado. Comércio é coisa de empresário.

Criação de pontes-aéreas para o interior do Amazonas. Para isso, será necessário um conjunto maior de aeroportos no interior e facilidades de negócios na região. Cada empresa nacional que fizesse conexões imediatas para o interior do estado, inclusive com empresas aéreas de menor porte, poderia ter um desconto nas suas taxas e condições de combustível, para ofertar voos baratos e rápidos para o interior do Estado, viabilizando o turismo. Juntar combustível barato, menos taxas, com turistas pode ser uma forma de induzir o desenvolvimento do turismo rápido no interior do Amazonas. Somando a uma rede hoteleira em cidades que possuam esta vocação, como Barcelos, pode ser uma grande oportunidade.

Cargas e passageiros

Maior uso do aeroporto para cargas destinadas a região Norte/Centro-Oeste do Brasil e Norte da América do Sul. Com um Terminal de Cargas e de Passageiros mais barato e mais eficiente, há uma oportunidade para ele fazer par com Campinas para atrair voos internacionais de cargas e par com Guarulhos para voos de passageiros. A situação da Venezuela, pelo lado negativo e da Colômbia ou Peru, pelo lado positivo, pode ser muito oportuna. Precisamos explorá-la rapidamente.

Aeroporto como captador de passageiros entre Europa, Sul da América do Sul e Norte da América do Sul. Atrair empresas europeias para usar Manaus como ponto de coleta de passageiros para nossos vizinhos e com isso passageiros para a Europa pode ser muito oportuno, em especial se for considerada a chance de usar os porões para transporte de cargas da Europa para o Polo Industrial e de produtos de maior valor agregado para a Europa. Dupla oportunidade: passageiros e cargas internacionais.

Sistemas de transportes

Transporte possui soluções sistêmicas, que são de solução mais complexas, não sendo simplista o olhar para “resolver tudo” com uma ação. Conceder em si não resolve. A problemática é que os clientes do aeroporto precisam parar de ser espoliados, passando a ser incentivados para o uso. A privatização em si, de fato, é um enorme risco para o desenvolvimento do Amazonas. É um perigo fazer isso com a iniciativa privada sem uma forte regulagem, sob o risco de simplesmente criar um novo cartório, muito mais danoso que o cartório da Infraero. O necessário é uma ação conjunta dos reguladores (ANAC, DAC, Ministério dos Transportes, Governo do Amazonas), da Infraero (ou de concessão privada após esta construção) e da iniciativa privada (empresas aéreas, hotéis, indústrias etc.). É urgente que exista um diálogo entre as instituições para transformar a realidade do uso do transporte aéreo na região.

Redução de custos

O centro da discussão sobre o Aeroporto de Manaus é a redução de custos. Precisamos reduzir o custo para a indústria. Hoje o que há são indicativos de aumentos de custos. Este vetor precisa mudar.

* nesta edição com a participação do Prof. Augusto Cesar Barreto Rocha

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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