Quarta onda de covid-19 coloca a Europa como epicentro da pandemia

Especialistas da USP alertam que não é o momento de relaxar com as máscaras e perguntam se não seria o caso de o Brasil fechar suas fronteiras, como forma de diminuir a velocidade do impacto

Em um momento em que os números de covid-19 seguem aparentemente controlados no Brasil, em  vários países da Europa a infecção pelo novo coronavírus só aumenta e traz muitas incertezas. A Europa é o novo epicentro da pandemia. A pergunta que todos fazem é: será que esses números vão aumentar aqui no Brasil também? Além disso, teremos mais uma onda da doença? E as mortes, será que vão voltar a subir mesmo com as pessoas vacinadas?

Procuramos dois especialistas da Universidade de São Paulo para esclarecer essas e outras dúvidas e entender o que está acontecendo no Brasil e na Europa. O professor Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista do Departamento de Política e Gestão em Saúde da  Faculdade de Saúde Pública da USP, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), explica que vários fatores favorecem o Brasil neste momento. O primeiro deles, sem dúvida, é o clima quente, diferente do que ocorre agora na Europa. A entrada da variante gama e a vacinação fizeram o Brasil se proteger da doença. 

As vacinas  ajudaram sobremaneira a contenção da doença no mundo, mas ainda existem muitos países que não têm uma cobertura suficiente de segurança. Dos dez países onde a covid-19  avança, oito deles estão com vacinação abaixo dos 60%. 

A professora Ester Sabino, pesquisadora do Departamento de Moléstias Infecciosas, virologista da Faculdade de Medicina da USP, imunologista que participou do sequenciamento do novo coronavírus no Brasil, diz que “a taxa de vacinação ainda é muito baixa na Europa. A resistência à vacina é um problema nesses países”. Apenas Portugal e Espanha estão com a cobertura vacinal acima de 80%. 

Mesmo assim, o mundo não está livre de novas variantes. Vecina diz que elas podem surgir justamente pelo grande número de pessoas contaminadas na Europa, por exemplo. “As chances de elas chegarem ao Brasil são muito grandes e aí temos que discutir, sim, se não temos que fechar nossas fronteiras para, pelo menos, diminuir a velocidade do impacto. Porque virá (a variante), não tem jeito, o vírus está circulando e vai chegar no mundo inteiro”, avalia o sanitarista. 

A par disso, especialistas entendem que os acontecimentos na Europa devem inspirar ações de prevenção no Brasil. A taxa de cobertura vacinal por aqui se aproxima dos 60%. A professora Ester Sabino, da Faculdade de Medicina da USP, explica que “o Brasil ainda vive o efeito das pessoas que tomaram a vacina”. A memória imunológica ainda é alta. Um boletim divulgado pela Fiocruz  destaca que a nova onda de covid-19 na Europa e na Ásia deve servir de alerta ao Brasil, para o risco de o número de casos voltar a subir, com a temporada de festas e férias, quando há maior circulação de pessoas em diversos ambientes. O fato, porém, é o de que em nenhum outro lugar do mundo há tantas mortes pela covid, neste momento, quanto no Velho Continente.

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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