Quanto vale a potência natural da Amazônia?

“Precisamos sair do modelo de não fazer nada, como caseiros para o futuro ou dos destruidores pela inércia. A oportunidade está posta e precificada”.

Augusto César Barreto Rocha
______________________________

AugustoCesarBarretoRocha 1
Augusto César é professor da Ufam.

Há diversos caminhos para precificar as riquezas naturais da Amazônia: sequestro de carbono, toneladas de madeira, água, peixes, minerais diversos, frutos diversos, compostos químicos etc. O Instituto Paulson, Think Tank vinculado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgou em 24/09/2020 um estudo sobre o esforço necessário para Proteger a Biodiversidade mundial. Há uma estimativa entre US$ 598 bilhões e US$ 824 bilhões por ano, nos próximos dez anos, para enfrentar este desafio.

Esta coalizão pelo planeta precisa ser realizada. Nas 258 páginas do estudo, a Amazônia é mencionada 24 vezes. Nossas florestas, água e o comércio de carbono são os pontos centrais dos comentários. É internacionalmente visível o quanto é necessário de esforço para transformar potencial em riqueza. É caro e trabalhoso, mas com grande potencial de retorno para o ambiente de vida do planeta e para a economia.

Segundo o estudo, investimentos associados com clima ou energia têm tido facilidade de atrair recursos, enquanto investimentos para bionegócios não têm tido a mesma facilidade. O caminho para a construção de modelos passa por uma boa interação entre governo e o setor privado, colaborando para a criação de mecanismos para benefício amplo. A alavancagem partirá dos governos locais, daí para os nacionais, para um esforço conjunto com a iniciativa privada.

Precisamos sair do modelo de não fazer nada, como caseiros para o futuro ou dos destruidores pela inércia. A oportunidade está posta e precificada. Fazer as mudanças necessárias para aproveitar a oportunidade é nosso papel, mais do que de qualquer outro habitante do planeta, se quisermos ter benefícios da possibilidade. De outra forma, seguiremos a ser meros consumidores, pagadores de impostos ou o pior: criminosos da humanidade por destruir a biodiversidade da Terra. Onde queremos ser posicionados na história?

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Anotações para o novo lustro da economia brasileira – 2026 a 2030

Comentários de Alfredo Lopes - BrasilAmazoniaAgora O Brasil entre...

SOS Amazônia: o Super El Niño já começou

Super El Niño pode agravar secas, calor extremo e pressão sobre rios e comunidades na Amazônia, reforçando a urgência da adaptação climática.

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Entre desafios logísticos, pressão internacional e transição climática, a indústria do Amazonas consolidou uma experiência singular de desenvolvimento associado à floresta em pé, com mulheres assumindo papel cada vez mais estratégico nos espaços de liderança, inovação e transformação regional.

Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?

A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados...