Mobilidade: ninguém pode ficar de fora

Ainda sobre a necessidade das informações sobre origem e destino dos polos geradores de viagem, no Plano de Mobilidade, ora em gestação frenética na municipalidade, a urgência imperativa de pesquisas, entrevistas, enquetes, para buscar expectativas de aproximação entre locais de habitação e produção de riqueza, serviços e lazer, há que se multiplicar debates sobre a possibilidades de mesclagem de modais alternativos de transporte, na organização sustentável de ocupação do  espaço urbano, suas potencialidades e fragilidades, ninguém pode ficar de fora. Se todos participam, todos podem ser responsabilizados e, portanto, cobrados. E quem se sente autor se sente, naturalmente, zelador. Ninguém é iluminado muito menos suporte de iluminação. E se na academia estão os pensadores, na economia estão aqueles que transformam as melhores soluções em maior competitividade. E isso resulta muito benéfico, em última instância, para o tecido social. Também na economia os trabalhadores estão ávidos pela racionalidade de seu deslocamento e pelo melhor grau de conforto que isso poderia representar. Moradias mais baratas, porém, desconectadas de seu destino laboral, acabam ficando caras e desgastantes. Ou alguém está imune ou hígido depois de experimentar horas diárias em lotados desumanas? Por isso todos têm que ser ouvidos, todos tem o que sugerir ou reclamar. E se os planos extrapolam o interesse dos donos de frota, isso é fator de preocupação pois essa é um item de engrenagem que precisa estar adequado. Como imaginar esses segmentos confortáveis com vias urbanas geradoras de desgastes humano e prejuízos pecuniário?

Locus da cidadania

Qual é a distância ou o limite entre o discurso da pirotecnia eleitoreira efetiva proposta de gestão urbana da mobilidade na direção do bem-estar do cidadão? Plano atrelado a visibilidade eleitoral de quatro/oito anos só interessa ao gestor e não ao cidadão, o senhor da ação pública. A cidade precisa ser o locus da cidadania, da solidariedade entre os atores, a favor da vida e da vivência em comunhão, não apenas da sobrevivência estressada por transportes desarticulados das demandas, necessidades e proposições de cada um. Existem proposta de indicadores possíveis para assegurar Mobilidade Sustentável – já testadas e aprovadas em Joinville, Curitiba e em outras urbanidades – que combine ocupação urbana e uso inteligente e transparente do solo, das vias, rodovias, hidrovias e ciclovias onde a recomposição das calçadas tenha prioridade similar ao calçamento viário de qualidade, as faixas da cidadania deem oportunidade ao desabrochar da partilha, respeito e acolhida do outro, cidadão igual e vital na comunhão urbana. Por isso o Plano de Mobilidade Urbana tem que ser (des)enlatado no sentido da visibilidade de seus fundamentos. Compromissos que se materializam na prioridade e na consideração e oferta de acesso a áreas verdes ou de lazer, na organização da mobilidade de um Transporte Público Urbano (TPU) utilizando energia limpa, estímulo à ciclovias e hidrovias urbanas como nas belas capitais europeias. Enfim, mobilidade com sustentabilidade e solidariedade urbana.

Setor têxtil: a indústria da obstinação

Talvez poucos saibam que o processo de industrialização no Brasil teve seu início com a indústria têxtil. Suas raízes precedem a chegada dos portugueses. Os índios que aqui habitavam já exerciam atividades artesanais, utilizando-se de técnicas primitivas de entrelaçamento manual de fibras vegetais e produzindo telas e tecidos para o cotidiano primitivo. Apesar da concorrência desleal e descuidos eventuais, em 2014, segundo dados da Associação Brasileira da Industria Têxtil (ABIT), o faturamento da Cadeia Têxtil e de Confecção fechou em US$ 55,4 bilhões e as exportações (sem fibra de algodão): US$ 1,17 bilhão, contra US$  2,38 bilhões em 2013; As importações (sem fibra de algodão): US$  7,08 bilhões, contra US$  6,89  bilhões em 2013; No saldo da balança comercial (sem fibra de algodão): US$  5,9 bilhões negativos, contra US$ 4,5 bilhões negativos em 2013; Os investimentos no setor: US$ 1,1 bilhão (estimativa), contra US$ 1,1 bilhão 2013, para a produção média de confecção: 9,4 bilhões de peças; (vestuário+cama, mesa e banho); e ocupação de 1,6 milhão de empregados diretos e mais 8 milhões se adicionarmos os indiretos e efeito renda, dos quais 75% são de mão de obra feminina; É o 2º maior empregador da indústria de transformação, perdendo apenas para alimentos e bebidas (juntos); e o – 2º maior gerador do primeiro emprego; O quarto maior parque produtivo de confecção do mundo e o quinto maior produtor têxtil do mundo;

Carta Parlamentar

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas, manifestando apoio à Indústria Têxtil e solidário com a ABIT, envia nesta sexta-feira, correspondência aos senadores da Amazônia Ocidental, para apoiar e referendar a vitória de 25 de junho, no Plenário da Câmara dos Deputados, por 211 votos favoráveis e 160 contrários, no encaminhamento do PLC 57/2015, projeto de lei do Poder Executivo que altera a política de desoneração da folha de pagamentos. Essa foi uma vitória importante, porém parcial e ainda não definitiva. O projeto pode ser aprovado pelo Senado Federal com ou sem alterações. Caso sofra mudanças, ainda retornará à Câmara dos Deputados, antes de ser enviado à sanção presidencial. Dando sequência a esse trabalho iniciado na Câmara dos Deputados, a Abit, a entidade maior do setor têxtil, um segmento vital de nossa economia e de nossa história, sugeriu a dois senadores a apresentação de emendas contemplando os elos restantes da cadeia produtiva têxtil e de confecção nesse aumento menor de alíquota. A carta destaca a importância do apoio parlamentar, não apenas pela defesa das empresas do segmento atuantes em nossa região, mas também pelo reflorescimento e consolidação do setor.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
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Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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