Política reúne 185 ações para impulsionar cadeias produtivas sustentáveis, valorizar conhecimento tradicional e expandir a bioeconomia no Brasil com foco ambiental e social.
O governo federal apresentou um novo plano para transformar a biodiversidade em um dos principais motores econômicos do país até 2035. O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) propõe integrar conservação ambiental e produção econômica, conectando desde comunidades tradicionais até setores industriais e fortalecendo a bioeconomia no Brasil.
A iniciativa está estruturada em três eixos centrais: sociobioeconomia e ativos ambientais, bioindustrialização competitiva e produção sustentável de biomassa. A proposta busca consolidar um modelo de desenvolvimento que utilize os recursos naturais de forma sustentável, ampliando oportunidades econômicas e inclusão social dentro da bioeconomia no Brasil.

No campo social, o plano prevê o fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade, com apoio a cerca de 6 mil empreendimentos e ampliação do acesso ao crédito para agricultores familiares. Também está prevista a expansão dos pagamentos por serviços ambientais, com a meta de beneficiar 300 mil pessoas, especialmente em comunidades tradicionais e povos indígenas.
Outro ponto relevante é a valorização do patrimônio genético brasileiro. O governo pretende ampliar a repartição de benefícios gerados a partir do uso de recursos naturais em setores como cosméticos e fármacos, garantindo maior retorno financeiro às comunidades que detêm conhecimentos tradicionais associados.
Na área industrial, o PNDBio aposta na bioindustrialização como vetor de crescimento. Entre as metas está a incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o aumento da participação desses produtos no mercado farmacêutico nacional.
O plano também estabelece objetivos ambientais ambiciosos, como a recuperação de 2,3 milhões de hectares de vegetação nativa e a consolidação de territórios voltados à restauração ecológica. Além disso, prevê a concessão de 60 Unidades de Conservação para atividades de ecoturismo e a ampliação de áreas destinadas ao manejo florestal sustentável.
No eixo da economia circular, a proposta incentiva o uso de biomassa — materiais orgânicos de origem vegetal ou animal — para a produção de energia e insumos industriais, incluindo biocombustíveis e produtos da indústria bioquímica renovável.
Elaborado ao longo de dois anos com participação de 16 ministérios, além de representantes da sociedade civil, academia e setor privado, o PNDBio reúne 185 ações estratégicas. A política foi submetida a consulta pública e recebeu mais de 900 contribuições antes de sua aprovação.
A proposta sinaliza uma mudança de paradigma ao tratar a biodiversidade não apenas como patrimônio a ser preservado, mas como base para um novo ciclo de desenvolvimento econômico sustentável, consolidando a bioeconomia no Brasil como eixo estratégico nacional.
