Bioeconomia pode gerar 800 mil empregos na Amazônia até 2050

Novos programas federais e projetos comunitários fortalecem negócios da bioeconomia e ampliam oportunidades em territórios da Amazônia.

Um estudo indica que a bioeconomia pode transformar a realidade socioeconômica da Amazônia nos próximos 25 anos. Segundo a pesquisa “Nova Economia da Amazônia”, publicada pela WRI Brasil em 2023, o investimento em políticas públicas direcionadas à bioeconomia pode gerar entre 600 mil e 800 mil empregos até 2050 e movimentar mais de R$ 38,6 bilhões no PIB regional. 

Em 2024, o governo brasileiro lançou oficialmente a Estratégia Nacional de Bioeconomia, que prevê a criação de um plano de desenvolvimento específico (PNDBio) com foco na valorização da biodiversidade, dos saberes tradicionais e da inovação. A medida se inspira no Plano Estadual de Bioeconomia do Pará, em vigor desde 2022, que já alcançou mais de 2,3 mil negócios em 13 cadeias produtivas, movimentando R$ 9 bilhões e beneficiando 400 mil famílias.

Trabalhador carregando cestos de açaí nas costas em ambiente florestal, destacando a bioeconomia na Amazônia.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Na esteira dessas políticas, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou durante a COP 30 duas iniciativas centrais: o Prospera Sociobio e o Bioeconomy Challenge. O primeiro conta com investimento inicial de R$ 120 milhões, R$ 70 milhões só no primeiro edital, para estruturar seis núcleos regionais na Amazônia. O objetivo é apoiar organizações com experiência no fomento a negócios sustentáveis, conectando sociedade civil, pesquisa científica e setor produtivo.

Já o Bioeconomy Challenge funcionará como uma plataforma internacional até 2028, articulando metas concretas a partir dos 10 Princípios de Alto Nível da Bioeconomia. A iniciativa reúne mais de 20 países e será conduzida por grupos de trabalho com apoio da FAO, BID, UNCTAD e WRI.

Oportunidades em bioeconomia: projeto da CONAQ seleciona consultores 

Um dos destaques mais recentes nessa agenda é o projeto liderado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), em parceria com o BID. A organização abriu vagas para consultorias em bioeconomia quilombola e georreferenciamento de territórios na Amazônia Legal, com inscrições abertas até 12 de janeiro de 2026. 

A atuação ocorrerá em estados como Amazonas, Amapá, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso, priorizando profissionais quilombolas e negros com experiência em gestão territorial e cadeias da bioeconomia.

As oportunidades contemplam funções como coordenação geral, diagnóstico de cadeias produtivas, comunicação estratégica e elaboração de planos de bioeconomia, com possibilidade de trabalho remoto ou presencial. Para participar, é necessário possuir CNPJ, seja como MEI ou Pessoa Jurídica.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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