“Não temos um planeta B” diz ex-secretário geral da ONU, ressaltando liderança ambiental do Brasil

A palestra de abertura, feita pelo 8º secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a necessidade urgente de ação colaborativa. O evento busca traçar um caminho sustentável para a Amazônia e o mundo.

A Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias foi aberta na quarta-feira, 30, em Belém (PA), com a presença de representantes de empresas, universidades, governos, povos e comunidades tradicionais, que até o dia 1º de setembro vão debater sobre meio ambiente, economia e desenvolvimento sustentável. A palestra de abertura foi realizada pelo 8º secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que traçou um paralelo entre o atual quadro climático do planeta e as metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Ban Ki-moon pontuou que, nos últimos anos, a humanidade teve avanços, como a redução em 50% da taxa de mortalidade infantil e em 45% do óbito materno, mas reforçou que as mudanças climáticas são o alerta de que ainda há muito a ser feito.

“Nosso planeta está em chamas”

“Nosso planeta está em chamas. Uma vez que a crise climática está se agravando com o aumento das temperaturas, do nível do mar, incêndios… tudo isso destaca a interconexão que existe entre todos os seres. Ninguém vive numa ilha e esses eventos deixaram claro que precisamos de soluções colaborativas para enfrentar os problemas que agora enfrentamos. Tais soluções precisam estar centradas no aprimoramento da sustentabilidade, da saúde e da segurança para todas as pessoas em todos os lugares”

O 8º secretário-geral da ONU destacou também que a crise climática está em todas as partes do mundo e sua superação depende de mais ambição, ação e vontade política. “Não temos um plano B porque também não temos um planeta B. Há milhões de estrelas, mas, até agora, os seres humanos não conseguiram descobrir outro planeta; este é o único onde temos oxigênio, água e tecnologia”, ponderou. “Temos que assegurar que nossa Terra deve ser mantida de forma sustentável e próspera”, concluiu.

Legado de Ban Ki-moon e acordos internacionais

Durante seus 10 anos como secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon dedicou-se a estabelecer acordos internacionais que orientassem o futuro do planeta. Seu legado inclui a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a assinatura do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas e a Convenção de Minamata sobre Mercúrio.

Não temos um planeta B diz ex-secretário geral da ONU, ressaltando liderança ambiental do Brasil
Crédito: Divulgação

O setor mineral e a crise climática

A Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias é promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que reúne mais de 130 empresas e instituições que atuam no setor mineral. Na abertura do evento, o diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann, destacou o compromisso do setor mineral em superar o maior desafio enfrentado pela atual e pelas futuras gerações: a crise do clima.

“A superação da crise climática é algo que nos toca e convoca a responsabilidade de todos. A Amazônia é algo que nos pertence, mas também é algo que importa a todo o mundo. É nesse cruzamento do nacional e do global que emerge a importância da Amazônia para todos nós. E ela se traduz na manutenção da floresta viva, no respeito aos povos tradicionais, mas também tem a ver com as cidades cada vez mais sustentáveis”

concluiu.
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Visão do governo do Pará

O governador do Pará, Helder Barbalho, ressaltou a oportunidade trazida pelo evento de demonstrar ser possível a construção efetiva de uma ampla mobilização a favor da transição econômica da Amazônia. “Nosso estado apresenta um mosaico de desafios, um mosaico de oportunidades. Devemos valorizar nossa população, cerca de 9 milhões de brasileiros”, destacou. Ele também chamou a atenção para a importância de valorizar a biodiversidade como o maior patrimônio do meio ambiente paraense. “É fundamental que possamos enxergar a floresta viva como uma nova commodity para que possamos tornar a floresta viva ainda mais valiosa, resultando em desenvolvimento para os amazônidas e os paraenses”.

Com informações da Ibram

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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