Percevejos que podem dizimar plantações estão se espalhando pelos EUA com mudanças climáticas, diz estudo

Pesquisadores afirmam que região dos Grandes Lagos e do Meio-Atlântico estão entre as que têm mais possibilidades de serem afetadas

Por Redação, do Um Só Planeta

Invasão dos Percevejos Marrom

Uma espécie invasora nos Estados Unidos, os percevejos marrom marmorizado, está se espalhando rapidamente pelo país à medida que as mudanças climáticas aumentam as temperaturas. Pesquisadores da Washington State University descobriram que a crise no clima podem aumentar a área de habitat adequado para este inseto malcheiroso em até 70%. Embora inofensivos para os seres humanos, esses animais se alimentam de quase 170 plantas, incluindo diversas plantações alimentícias como framboesas, maçãs, peras, pêssegos e ameixas, colocando em risco os negócios agrícolas do país.

Alguns estados norte-americanos, como Washington, já estão tomando medidas contra a praga. Por lá, um inseto parasitoide chamado “vespa samurai” – que põe seus ovos dentro dos ovos de percevejos – está sendo usado como medida de enfrentamento ao problema. Quando as vespas larvas eclodem, consomem os ovos do inseto invasor, impedindo assim que a população de percevejos cresça.

Percevejos
Getty Images

A comunidade científica acredita que esta espécie de percevejo veio da Ásia em meados da década de 1990, provavelmente em um contêiner de transporte. Desde então, se estabeleceu em 46 estados, sendo que 15 deles consideram o inseto uma praga. Os percevejos não gostam dos invernos frios dos estados do norte e habitam principalmente a região sul dos EUA. No entanto, com o avanço das mudanças climáticas, essa situação está mudando.

Pesquisadores que passaram 3 anos monitorando 534 locais onde os percevejos prosperam afirmam que já é possível encontrar estes insetos no norte. O estudo aponta que as regiões que podem ser mais afetadas incluem o Meio-Atlântico, áreas ao redor dos Grandes Lagos e os vales da Costa Oeste, como o Vale do Sacramento, na Califórnia, e o Vale do Tesouro, em Idaho.

Javier Gutierrez Illan, entomologista da Universidade Estadual de Washington que foi um dos autores da pesquisa, disse em um comunicado: “Todo sistema mudará com as mudanças climáticas, então o fato de que você pode cultivar grão de bico, lentilhas ou trigo sem essas pragas agora, não significa que você não os terá em alguns anos. Existem atitudes atenuantes que podemos fazer, mas é sábio se preparar para a mudança”.

Texto publicado originalmente em UM SÓ PLANETA

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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