Segundo pesquisadores, relatos de coletores ribeirinhos foram essenciais para compreender as peculiaridades dos peixes venenosos identificados na região, o que reforça a importância dos saberes tradicionais para a ciência
Duas novas espécies de peixes cascudos altamente tóxicos foram encontrados e identificados na bacia do rio Tapajós, entre os estados do Pará e Amazonas, por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). As espécies foram batizadas de Hoplisoma noxium e Hoplisoma tenebrosum, pertencentes à subfamília Corydoradinae, e foram descritas oficialmente em um artigo publicado na revista científica Neotropical Ichthyology.
Segundo relatos de piabeiros — coletores ribeirinhos especializados em peixes ornamentais —, os espinhos desses peixes podem causar reações dolorosas em humanos, como dor intensa, inchaço e vermelhidão. Além disso, a toxina que liberam pode matar outros peixes em recipientes compartilhados, turvando a água e produzindo espuma.
“Essas informações vindas do conhecimento tradicional foram essenciais para compreendermos as peculiaridades dessas novas espécies”, destaca Luiz Fernando Caserta Tencatt, um dos autores do estudo e pesquisador da UFMT.
Com a identificação do Hoplisoma noxium e do Hoplisoma tenebrosum, os pesquisadores agora pretendem aprofundar os estudos sobre os efeitos da toxina produzida por esses peixes e investigar se outros membros da subfamília Corydoradinae também apresentam mecanismos de defesa semelhantes. A continuidade dessas pesquisas pode abrir portas para descobertas com aplicações científicas, médicas e ecológicas, além de contribuir para estratégias mais eficazes de conservação da fauna amazônica.
Foto por WMO