Com recorde de presença, participação indígena na COP30 ganha notoriedade

Para Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, participação indígena na COP30 marca uma virada histórica ao colocar os povos originários no centro das decisões climáticas globais.

A COP 30, conferência climática da ONU realizada em Belém (PA), entrou para a história como a edição com maior presença de povos indígenas já registrada, segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. Cerca de 5 mil indígenas estão na capital paraense, sendo que 3,5 mil estão hospedados na Aldeia COP, espaço montado na Universidade Federal do Pará (UFPA) para acolher delegações de diferentes etnias. Desses, quase 400 estão credenciados na Zona Azul, área restrita onde ocorrem as negociações oficiais.

“Essa presença indígena marca esta COP como a maior e melhor em participação e protagonismo dos povos indígenas. Pela primeira vez, a gente não está só presente: estamos no centro das decisões globais”, afirmou Guajajara ao g1. Para a ministra, a expressiva participação indígena na COP30 representa uma virada histórica no reconhecimento dos povos originários na agenda climática internacional.

As lideranças indígenas têm ocupado espaços estratégicos dentro e fora das plenárias da COP. Nas ruas de Belém, marchas e atos simbólicos evidenciam a urgência das pautas ambientais e territoriais. No sábado (15), representantes de diversas etnias lideraram a Marcha Global pelo Clima, reforçando a defesa por direitos territoriais, justiça ambiental e políticas de mitigação que incluam os saberes tradicionais.

Guajajara destacou que os povos originários são “guardiões do território, do meio ambiente e da vida”, e que esse papel precisa ser considerado nas decisões internacionais. “O reconhecimento desse protagonismo é essencial para avançar em medidas globais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, afirmou.

Lideranças indígenas e autoridades discutem estratégias climáticas em plenária que antecedeu a COP30, evento demonstra fortalecimento da participação indígena na COP30.
Plenária “A resposta somos nós” reuniu lideranças e lançou iniciativas que fortalecem a participação indígena na COP30, como a NDC Indígena e a Comissão Internacional. Foto: Po Yre/ISA

Segundo a ministra, a participação indígena na COP30 também marca avanços políticos. “São 10 anos do Acordo de Paris, que reconheceu o conhecimento indígena como conhecimento científico. Estamos aqui hoje trazendo essa contribuição como central para enfrentar a emergência climática”, disse.

Ela ressaltou ainda que a justiça climática passa necessariamente pela regularização dos territórios e pelo enfrentamento do racismo ambiental. “Não dá para tomar decisões de mitigação sem pensar justiça climática e os impactos diretos que essas comunidades já vivem”, defendeu.

Sobre a Aldeia COP, Guajajara afirmou: “Estar na Aldeia COP foi um momento de demonstrar apoio e fortalecer essa conexão entre povos indígenas, clima, meio ambiente, biodiversidade, cultura e direitos humanos. Tudo isso fortalece não apenas o debate ambiental, mas também a nossa democracia”.

Com as discussões centradas em desmatamento, justiça climática e saberes tradicionais, Belém se consolida como “símbolo da integração entre a Amazônia e o futuro das negociações globais sobre o planeta”. A participação indígena na COP30 reforça a necessidade de incluir os povos originários como atores essenciais nas decisões sobre o futuro climático do mundo.

Sônia Guajajara e Cacique Raoni na inauguração da Aldeia COP durante a COP30 em Belém.
Ministra Sônia Guajajara e Cacique Raoni celebram a inauguração da Aldeia COP, espaço que fortalece a participação indígena na COP30 e articula vozes de diversas etnias. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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