Padre Reneu Stefanello, ora pro nobis!!!

Dizer para alguém amado ‘Tu não morrerás’ é sinal de fé e afeto mas não alivia a dor da ausência de Reneu Stefanello, um sacerdote absolutamente identificado com nossa Amazônia, e que nos deixou no esplendor de sua consagração sacerdotal. Descansa em paz, Padre Reneu querido, e obrigado pelas sementes de tanto amor que sua pregação e testemunho de vida deixarão em nossa caminhada.

Devoto de Maria, de corpo, alma, coração e vida, de Maria da Amazônia, Reneu conduziu a consolidação este papel, mais grandioso que se poderia dar a esta terra. Isso chegou aos ouvidos de Francisco e ele não tardou, como Sumo Pontífice, a delegar a Dom Cláudio Hummes, o grande costureiro de sua escolha, e a Dom Sérgio Castriani, a tarefa de fazer essa devoção amazônica prosperar. Este é um assunto em que Reneu se especializou, no ambiente de formação sacerdotal, baseada nos paradigmas palotinos, fundado por Antônio Palotti, que enxergam Maria como aquela que congregou os apóstolos após a Ascensão de seu Filho, o Senhor Jesus. Reneu mostrou que, como Maria, devemos cuidar e proteger a floresta, sua biodiversidade, a mais bela criatura que o Criador nos poderia oferecer.

Por isso, Reneu, será eterno este legado, seu testemunho, para cuidarmos do último jardim do mundo, numa civilização predatória e violenta, que nos cabe enfrentar. Por isso, “Tu não morrerás” pois viveste, pregaste e, com seu exemplo, a teologia e pedagogia da alegria dos Filhos de Deus, capazes de construir a unidade em torno do cuidado com nossa Casa Comum. Viveste no cotidiano a utopia de Gabriel Marcel, um filósofo francês que se levantou o estandarte da vida e se contrapôs ao niilismo e dadaísmo dos anos sombrios da opressão nazista, uma bandeira de resistência que emerge na postulação da paz, num mundo imerso na violência, em contraponto à angústia do caos e da morte experimentadas nas duas guerras que abalaram o mudo no século XX. Marcel, assim como Reneu, desfraldam a bandeira da vida, na conjugação do verbo amar, no sentido original e dramático da palavra que remete a gestos, na primeira do plural. “Deus não fez a morte nem se compraz com a morte dos viventes… Ele tudo criou para que subsista”, diz Salomão no Livro da Sabedoria. Ou seja, nossa vocação é a imortalidade, contanto que avancemos na direção da descoberta humana, demasiadamente humana, posto que divina, do sentido amoroso da partilha, como Reneu nos ensinou. “Eu vim para que todos tenham Vida e a tenham em abundância”, uma das suas citações preferidas, reafirmando sua identificação com João Evangelista, o mais próximo e querido discípulos de Jesus.

Não ficará um vazio com sua partida desde que saibamos homenagear sua trajetória resgatando no cotidiano o legado que nos deixou de buscar em cada momento de angústia saber a vontade de Deus a nosso respeito, decodificar nos sinais do noticiário a manchete da Boa Nova: “Eis que eu os dou um novo mandamento, amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado!”. E era essa, exatamente, a mensagem de cada pregação, a conclusão comum de sua interpretação da Palavra de Deus, o silêncio após cada celebração e comunhão eucarística. Obrigado, Reneu, pela semeadura de tanto Amor. Cabe, agora, a cada um de nós adubar e fazer florescer essas sementes de luz, para alumiar os caminhos da esperança, fortalecer a fé, na vivência intensa e coerente da caridade, de verdade.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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