Os efeitos do Covid-19

“O momento é crítico e precisamos seguir as orientações das autoridades e profissionais da saúde, a fim de que o impacto causado por esse vírus seja o menor possível e possibilite que a nossa vida volte o mais rápido possível ao normal.”

—— Por Antônio Silva (*)——

O duro e violento golpe sofrido pela China com o Covid-19 refletiu-se de forma contundente na economia brasileira. A China é o grande consumidor global de commodities e o maior importador de minério de ferro e soja do Brasil, além de principal fornecedor de componentes cuja quebra das linhas de suprimento abalou não só a indústria, mas também o comércio e as finanças do Brasil.

Recessão à vista

A queda do mercado acumulada este ano demonstra o desastre causado pela pandemia sobre as cadeias produtivas e o comércio, com a paralisação de fábricas e estabelecimentos comerciais, cancelamento de pedidos de produção, retração da demanda e suspensão de viagens.  É cada vez mais preocupante o risco de recessão global no primeiro semestre deste ano. As medidas que estão sendo tomadas são inquestionáveis e necessárias, mas pesarão severamente na atividade econômica do mundo e do Brasil.

Proteger as pessoas

A CNI já toma providências para proteger seus colaboradores e parceiros do Sistema Indústria da contaminação. Por precaução, suspendeu viagens ao exterior até o final de abril aos gestores e colaboradores. Suspendeu o programa de imersão a ecossistemas de inovação que seria realizado em Israel entre 26 e 30 de abril. Avalia também o cancelamento de eventos da entidade, do SESI, SENAI e IEL nas próximas semanas. As escolas das redes do SESI e do SENAI seguirão as determinações dos governos locais quanto à suspensão ou não de atividades.

Sistema S de prontidão

As áreas médicas das entidades do Sistema Indústria estarão disponíveis para orientação e cuidados aos gestores e colaboradores que apresentem sintomas do Covid-19. Em suma, estaremos contribuindo com o esforço nacional e mundial contra o vírus. Entretanto, é necessário também os governos pensarem em formas de estímulos à economia, pois as medidas preventivas para reduzir o contágio e limitar a expansão do vírus deverão consumir um tempo maior, com prejuízo à circulação de pessoas, ao consumo, à produção, ao nível de empregos, aos investimentos e aos lucros.

Plano de contingências

A economia só funciona quando há dispêndio de empresas, famílias e governo, portanto deve ser pensada uma forma de auxiliar, nesse momento grave, o funcionamento do mercado. O momento é crítico e precisamos seguir as orientações das autoridades e profissionais da saúde, a fim de que o impacto causado por esse vírus seja o menor possível e possibilite que a nossa vida volte o mais rápido possível ao normal.

A FIEAM estará, com ajuda de seus filiados, elaborando um plano de contingência em que deverá recomendar procedimento básico a ser seguido pelas empresas, que será acrescido de outras medidas de acordo com as necessidades de cada uma.

A ordem é disseminar prevenção

No momento, o maior prejuízo da indústria da Zona Franca de Manaus é com relação ao abastecimento de componentes. Ao que parece as fábricas da China e de outros países asiáticos já reiniciam suas produções a fim de reporás encomendas não atendidas e voltar a um patamar normal de fabricação, o que nos é favorável. O momento nos pede para disseminar a prevenção. 

(*) Antonio é Administrador de Empresas, vice-presidente da CNI e presidente da FIEAM.

Antônio Silva
Antônio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

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