O transporte e a sua prioridade nula

“A perspectiva de melhoria do desenvolvimento da infraestrutura do Amazonas é mínima. Não consigo confiar muito em discursos, pois o que percebo é um claro declínio do que já era pouco. Pior do que crescer em uma taxa menor do que os países ou estados mais desenvolvidos é ficar parado no tempo sem nada fazer. Além dos discursos, o que vejo, nestes dados, é que nada está sendo feito.”

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Entender a história durante seu desenrolar é um grande desafio e para isso precisamos nos concentrar em fatos – que são difíceis de recolher. Depois de passado algum tempo, fica mais fácil a compreensão, mas, no desenrolar das emoções, somos facilmente conduzidos vagarosamente para a condição de “povo feliz”, como diria Zé Ramalho. Um passeio pelo Portal da Transparência é uma aventura que todos deveríamos fazer ao menos uma vez ao mês, para compreender a execução das políticas públicas.

Seria muito valioso que a transparência fosse mais ampla em todos os níveis, por mais que os autoritários e os que têm algo para esconder não queiram, afinal teríamos ainda mais fatos para facilitar a compreensão da realidade. A democracia me parece sempre uma prioridade. Pena que esta frase provocará indignação em alguns de meus leitores, mas é importante que plantemos ela em nosso pensamento, por mais que não tenhamos ainda “aquela” democracia almejada, mas é melhor seguir caminhando para ela do que dar ré.

Tudo isso como introdução para a questão: como vai a remoção dos problemas do sistema de transportes de nossa região? No Brasil, em 2017 o orçamento total foi de R$ 3,35 trilhões versus R$ 4,13 trilhões em 2020. Em 2017, R$ 10,8 bilhões foram gastos em transportes e R$ 1,8 bilhões em urbanismo. Em 2020 R$ 7,8 bilhões em transporte e R$ 1,2 bilhões em urbanismo. O total investido no Amazonas em 2020 não poderia ser mais insignificante: R$ 0 (ou pouco mais de R$ 567 mil sem a identificação do município). Não que em 2017 tenha sido muito melhor, pois foi R$ 121 milhões (em cinco municípios).

A perspectiva de melhoria do desenvolvimento da infraestrutura do Amazonas é mínima. Não consigo confiar muito em discursos, pois o que percebo é um claro declínio do que já era pouco. Pior do que crescer em uma taxa menor do que os países ou estados mais desenvolvidos é ficar parado no tempo sem nada fazer. Além dos discursos, o que vejo, nestes dados, é que nada está sendo feito.

Como aspecto final, para estimular a reflexão sobre outra parte do problema, é preciso olhar para a execução do orçamento e para o “equilíbrio fiscal”. Para a tal “responsabilidade”, recomendo análise do trilhão de dólares para a infraestrutura dos EUA ou o relato sobre os efeitos da austeridade na Grécia, feito por Yanis Varoufakis. Ainda temos bastante para caminhar na nossa realidade para a construção de um país melhor, entendendo os adultos que estão na sala. E, para martelar a compreensão: em 2020, R$ 1,3 trilhão foram gastos entre refinanciamento da dívida interna e serviço da dívida interna. Era R$ 832,8 bilhões em 2017. Um bom entendedor não precisa de tantas palavras para compreender qual é a prioridade.

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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