O futuro do uso de tecnologias de imersão virtual no ensino acadêmico

A aplicação das tecnologias imersivas em diversas áreas da educação se torna cada vez mais comum, mas seu potencial na melhora do aprendizado ainda está longe de seu auge

A aplicação das tecnologias imersivas em diversas áreas da educação se torna cada vez mais comum. Recentemente, um painel internacional sobre o estado das realidades aumentadas e suas tecnologias foi realizado e publicou um relatório com os resultados das análises em torno do aprendizado imersivo. O documento destaca o potencial de aplicação das tecnologias imersivas na educação e as formas de utilizar esse tipo de tecnologia para imergir o aluno em outras realidades, de uma maneira mais prática do que levá-lo a essa outra realidade para melhor aproveitamento da aprendizagem. 

Romero Tori, professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica (Poli) da USP, participou do painel e contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição sobre o desenvolvimento das tecnologias imersivas. Segundo o professor, a partir de 2010, com o surgimento de equipamentos de realidade aumentada mais acessíveis ao público e a evolução e disseminação dos smartphones, novas imersões puderam ser criadas, independentemente de grandes estruturas com alto custo operacional ou espacial. Tori comenta que esses novos recursos podem ser aplicados em diversas áreas, como ciências, engenharia, artes e matemática.

“A primeira pergunta que a gente tem que fazer é se, para determinada área de ensino, se para esse determinado assunto ou esse tópico educacional, a tecnologia imersiva é de fato a melhor solução” alerta Tori, apesar de o potencial de aprendizado dessas tecnologias. O professor explica que o risco de usar a tecnologia somente por sua disponibilidade, se não for colocada de uma forma bastante significativa para um certo tipo de aprendizagem, pode até ser um desperdício e prejudicar a aprendizagem. Outras problemáticas no emprego desses recursos estão relacionadas, como destaca o professor, a questões operacionais do equipamento e até de criação do conteúdo a ser utilizado no processo de aprendizagem, que requer um nível de treinamento para viabilizar sua aplicação.

O desenvolvimento dessas tecnologias também enfrenta desafios, afirma o professor. “As pesquisas vão das mais básicas, por exemplo, como melhorar a ergonomia dos sistemas imersivos, até a questão de aumentar a eficiência do processamento, porque esses processamentos muito pesados vão desenvolver algoritmos, muitas vezes usando Inteligência Artificial para melhorar essa estrutura.”

O professor também fala sobre as iniciativas da USP na utilização dessas tecnologias. O Interlab (Laboratório de Tecnologias Interativas), juntamente com o LApIS (Laboratório de Aplicações de Informática em Saúde), que é da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), e outras unidades da USP vêm desenvolvendo alguns projetos nessa área. Um exemplo é a parceria com a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) para a criação de treinamentos imersivos de coleta de sangue. “A simulação de procedimentos na área da saúde é um clássico uso de tecnologia imersiva, porque o concorrente da imersão como forma de aprendizagem seria o mundo real”, afirma Tori. “Se o enfermeiro puder pegar um braço virtual e fazer coleta de sangue nesse braço virtual, ele vai estar muito mais próximo do treinamento real”, completa.

Confira o relatório na íntegra neste link

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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