O câncer e o gengibre da Amazônia

Alfredo MR Lopes (*) [email protected] 

A família Moraes reuniu-se neste Domingo de Ramos para erguer as palmas da gratidão aos Céus pela saúde de seu patriarca, na Catedral de São Paulo, na semana em que iria acompanha-lo numa delicada cirurgia para extração de um tumor maligno no aparelho digestivo. Ao refazer os exames, realizados há pouco mais de dois meses, o oncologista se deparou com uma redução perturbadora.

O edema havia regredido em aproximadamente 40%, com a utilização criteriosa de dosagens diárias do gengibre amargo da Amazônia, (Zingiber zerumbet)onde se encontra a Zerumbona, seu principal ativo. Há 21 anos, o pesquisador Carlos Cleomir Pinheiro do do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), detectou que o gengibre amargo possui forte ação no combate de vários tipos de células cancerígenas. Uma espécie semelhante encontrada nos trópicos da Ásia é usada na culinária. Na região, as ocorrências de câncer têm índices irrisórios. Na Amazônia, são conhecidas 2 variedades de gengibre, uma popularmente chamada de mangarataia, e o amargo é usado como planta ornamental. 

Carlos Cleomir é pesquisador amazonense, titular de Tecnologia e Inovação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia INPA, com larga experiência em Farmacologia e Química de produtos naturais com ênfase em Fitoterápicos, Cosméticos e Alimentos. É um cientista prudente na avaliação dos resultados do gengibre amargo, já transformado em cápsulas pela empresa Biozer da Amazônia, em parceria com o Inpa, ora na expectativa de liberação, por parte da Anvisa, como alimento funcional.

O gengibre amargo não cura o câncer, mas já está comprovado que inibe sua proliferação. Assim ocorreu com centenas de pacientes, todos catalogados e acompanhados rigorosamente, com exames de sangue de marcadores tumorais, especialmente as ocorrências de pele, próstata, mama, estômago, cólon e fígado, sem os efeitos perversos da químio e radioterapia. Ele estimou e acertou a redução apontada.

A cura do câncer é o maior desafio da Ciência, pesadelo de milhões de famílias pelo mundo afora e negócio bilionário da indústria da saúde. Pesquisas já chegaram perto deste enigma, ou decifraram sua cura e, como a gripe ou o diabetes, são estratosféricas as cifras do tratamento medicamentoso. Para um país, como o Brasil, que gasta menos de US$ 500/por paciente/ano, 10% do que gasta a Noruega – com taxa de 35% de desvio das finalidades – dá para compreender o porquê 60% das 60 mil brasileiras diagnosticadas com câncer de mama vão a óbito, de acordo com as estatísticas do Instituto Nacional do Câncer. As pesquisas sobre cura tiveram corte drástico em 2017, algo em torno de 80%.

Por que o desenvolvimento de drogas do câncer é um grande negócio apenas para os mega-laboratórios e qual a razão dos embaraços para as descobertas do Inpa, como o gengibre amargo, onde os estudos clínicos demonstram que, usado criteriosamente no início da manifestação do câncer, a doença não progride? Como viabilizar as descobertas da BioNorte, uma rede amazônica com a 500 biotecnólogos, com o mapa da mina nas mãos, ou avançar as pesquisas da Unicamp, concluídas e comprovadas em laboratório, para tratamento de câncer, com o uso da copaíba?

O portal alibaba.com, de suprimentos, indiferente à nova legislação de acesso à biodiversidade do Brasil – mais focada na compulsão fiscal mais do que no incentivo empreendedor – borbulha de negócios com as espécies amazônicas, exportadas praticamente em natura e vendidas depois como produtos miraculosos na dermocosmética, farmacopeia e alimentação funcional.

Na liturgia da indústria farmacêutica, uma droga que inibe, reduz ou equaciona um carcinoma sem efeitos colaterais, simplesmente não é um negócio lucrativo, como o Avastin – patenteada pela Genentech/Roche, que custa aos pacientes US$80.000/ano, sem garantia de cura. Apenas um em cada 10.000 compostos estudados por pesquisadores consegue espaço prateleiras de medicamentos aprovados.

Temos na Amazônia a oportunidade de negócios diferenciamos, eticamente coerentes e economicamente atraentes, ou seja, transformar ativos genéticos como a Zerumbona – com duas décadas de comprovação, incluindo pacientes que já passaram por todos os tratamentos quimioterápicos – em oportunidades de cura e novos negócios. Para a família Moraes, Carlos Cleomir é uma benção, o gengibre amargo é um tesouro e a Páscoa, decididamente, significa passagem para uma nova vida e de múltiplos ganhos de prosperidade regional. 

(*) Alfredo é filósofo e ensaísta e consultor do CIEAM Centro da Indústria do Estado do Amazonas 

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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