O Brasil está entre os que mais lançam poluição plástica nos oceanos

Os pontos de entrada de poluição plástica nos mares brasileiros são as fozes dos principais rios das bacias hidrográficas, como o Rio Amazonas

Por Jornal da USP

Segundo pesquisa da rede Blue Keepers, programa desenvolvido para combater a poluição do plástico em rios e oceanos, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil está entre os 20 países no mundo que mais contribuem para a poluição plástica nos oceanos. Um estudo inédito, disponibilizado pelo projeto, aponta que cada brasileiro pode ser responsável por 16 quilogramas de resíduos no mar por ano. Os dados recolhidos são disponibilizados em uma plataforma de livre acesso com o intuito de conscientizar a população do panorama emergencial em que se encontram as águas.

Apesar de políticas ligadas aos resíduos sólidos e ao saneamento, o planejamento e a execução de ações contra o plástico no ambiente são beneficiados pelos dados da Blue Keepers. Por meio do relacionamento com as prefeituras, as responsáveis pela limpeza urbana, “precisamos deixar esse legado de trabalhar com essas municipalidades em capacitações técnicas, mas também em prototipagem de soluções”, explica o professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP (IO) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEA).

Alexander Turra - Foto: IO/USP
Alexander Turra – Foto: IO/USP

O projeto também implementa uma abordagem territorial como método para analisar a gestão dos resíduos pelos brasileiros, ao considerar o perfil de consumo e a informação utilizada para o descarte adequado. “Quanto as pessoas consomem? E o que elas fazem com esses resíduos em termos de reciclagem ou destinação final apropriada ou não apropriada?”, reflete o professor. 

Gabriela Otero - Foto: Reprodução/Facebook
Gabriela Otero – Foto: Reprodução/Facebook

A lógica de economia circular também entra em pauta na rede como um plano de ações de tratamento e valorização do resíduo plástico. “Até 2030, a nossa ambição é conseguir ter uma rede de, no mínimo, 100 cidades com inovações, pensando no combate ao lixo”, relata Gabriela Otero, mestra em Ciência Ambiental pelo Programa de Pós-Graduação (Procam) do IEA e membro da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, sobre a reavaliação da cadeia de produção linear e o seu impacto nos mares.

Os pontos de entrada de poluição plástica nos mares brasileiros são as fozes dos principais rios das bacias hidrográficas, como o Rio Amazonas. “O que nos chamou a atenção é que o Brasil é um país com muitas barragens, e há um miolinho onde essas barragens acabam impedindo que esses resíduos do interior tomem o caminho direto ao oceano”, explica Gabriela. Contudo, o alto potencial de plástico disponível nas grandes capitais pode se tornar resíduos encaminhados ao oceano, sendo a população a causadora direta desse despejo de lixo.

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Foto: Reprodução/gov.br

Alcance do projeto

O projeto Blue Keepers, ligado à Plataforma de Ação pela Água e Oceano do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, está alinhado com vários movimentos de minimização dos impactos do plástico marinho em nível estadual, federal e internacional. “No âmbito do Estado de São Paulo, é um plano estratégico de monitoramento e avaliação do lixo no mar. No âmbito federal, o plano de combate ao lixo no mar. E no âmbito internacional, todo o movimento que vem sendo relacionado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14”, informa Turra. 

Texto publicado originalmente em Jornal da USP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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