Nova indústria Brasil e o Guaraná do Amazonas

“As exigências operacionais da viabilidade são fundamentais para destravar este potencial econômico, garantindo que o guaraná continue a ser um símbolo de vitalidade, no desfile da economia da vida ou da bioeconomia da sustentabilidade Amazônia.”

Por Alfredo Lopes
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Coluna Follow-Up

O Brasil, mais uma vez, põe na avenida do entusiasmo o bloco da reindustrialização nacional, sob a batuta do ministério do Desenvolvimento e promessas do BNDES. Entre os programas prioritários está a Bioeconomia, uma vertente que se reporta obrigatoriamente à Amazônia, onde borbulham mais de 20% dos princípios ativos da Terra. Com as críticas dos céticos de plantão e motivação dos obstinados, a palavra de ordem é gerenciar o azedume reinante com a limonada da mudança e o estandarte da transformação. E o que tem a ver a reindustrialização com o guaraná (Paullinia cupana) do Amazonas, o grande legado dos povos originários Sateré-Mawé, a etnia que inventou o guaraná, o precursor energético da nutrição funcional?

Cosme Ferreira, o visionário

A industrialização brasileira na Amazônia, uma equação sentimental entre indústria e guaraná, se deu quando a família José Cruz decidiu, em 1945, implantar uma indústria de bebidas Magistral, baseada no sagrado fruto amazônico do Guaraná. Havia um movimento em Manaus para reativar a economia da borracha depois do fim do conflito mundial e com a debandada dos americanos, que financiaram – num esforço de guerra – o resgate do látex, essencial para fazer suas máquinas de guerra. Inspirada pelo entusiasmo visionário de Cosme Ferreira, que defendia o cultivo extensivo da espécie, a etapa fabril da espécie virou uma festa empreendedora lusitana.

Cosme Ferreira

Tesouro bioativo

Recentemente, a Embrapa Amazônia Ocidental forneceu informações estratégicas que lançam luz sobre a importância do guaraná na bioeconomia tropical. A região da Amazônia, abrangendo 4.1 milhões de km² e representando 49,5% do território brasileiro, é um bioma de significativa importância geopolítica, social e econômica. A diversidade biológica desse ecossistema, que inclui o guaranazeiro, é notável, com milhares de espécies de plantas e animais, muitas delas com potencial econômico e medicinal adormecido.

O papel da Guaraína

O guaraná, especificamente, tem um papel central nesse contexto. Como primeira região produtora de guaraná no mundo, a Amazônia tem visto um aumento na produção do guaraná na Bahia enquanto cresce a demanda tanto nacional quanto internacional da guaraína, o princípio ativo mais importante do guaraná do Amazonas. André Luiz Atroch e Everton Rabelo Cordeiro, da Embrapa, especialistas renomados, destacam que o Brasil possui uma área significativa dedicada ao cultivo de guaraná, atualmente liderada pela Bahia e seguida pelo Amazonas. A produção é destinada majoritariamente ao mercado interno, mas também atende a demandas internacionais, principalmente no setor de bebidas e farmacêutico, onde a guaraína de Maués se sobressai.

Colheita do guarana Photo ROSA Felipe Santos da
Maria Trindade – Guaraná Orgânico Urucará Foto Bruno Zanardo

Banco de germoplasma

Sob a perspectiva técnica, o guaranazeiro é uma espécie nativa de grande relevância econômica, social, cultural e ambiental. A Embrapa tem desempenhado um papel vital no desenvolvimento de pesquisas para o melhoramento genético do guaranazeiro, focando em produtividade e resistência a doenças. Este esforço resultou em 18 cultivares clonais e uma seminal, contribuindo significativamente para a competitividade e sustentabilidade da cadeia produtiva do guaraná. A instituição mantém um Banco Ativo de Germoplasma do Guaraná, assegurando a conservação da diversidade genética da espécie.

Desafios e potencial futuro

Apesar desses avanços, desafios permanecem. A adoção de novas cultivares ainda enfrenta barreiras devido ao alto custo e às complexidades técnicas. A inovação no setor requer não apenas melhoramento genético, mas também investimento em infraestrutura e capacitação de produtores. Uma das inovações mais notáveis em termos de variedades de guaraná é a cultivar BRS Noçoquém, desenvolvida pela Embrapa. Esta variedade, que pode ser multiplicada via sementes, é adaptável a diferentes condições na Amazônia e promete trazer sustentabilidade à produção de guaraná. Ela permite aos produtores cultivar mudas a baixo custo e com técnicas agrícolas tradicionais, reduzindo a necessidade de insumos e práticas intensivas.

Nova indústria Brasil e o Guaraná do Amazonas

Agregação de novas tecnologias

A baixa produtividade na Amazônia, devido à falta de tecnologias apropriadas para o cultivo, tem tornado a atividade pouco lucrativa, especialmente para pequenos agricultores. Isso tem levado a uma desmotivação crescente entre os produtores e um potencial êxodo rural. Além disso, os preços baixos pagos aos produtores e a falta de tecnologias agroindustriais para agregar valor ao produto são problemas prementes que necessitam de atenção. O investimento em pesquisa, tanto por parte do governo quanto da iniciativa privada, é crucial para o desenvolvimento sustentável do cultivo do guaraná. Atualmente, os investimentos são insuficientes para atender às crescentes demandas por conhecimento e tecnologia. O apoio financeiro é vital para construir uma infraestrutura adequada e fomentar Programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

Sustentabilidade e desenvolvimento social

Aumentar a captação de recursos financeiros privados é uma alternativa para expandir as pesquisas que permitam o desenvolvimento sustentável da Amazônia e o aproveitamento do guaraná em sua bioeconomia. O guaraná não só representa um potencial econômico elevado, mas também desempenha um papel importante na cultura, na saúde e no bem-estar social da região. Tecnicamente, o cultivo do guaraná exige conhecimento especializado. O fruto cresce em condições específicas, com um ciclo de crescimento que requer monitoramento constante e técnicas agrícolas adaptadas. Recentemente, pesquisas focadas em melhoramento genético e práticas de cultivo sustentáveis têm sido realizadas para maximizar a produção sem comprometer a saúde do ecossistema amazônico.

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Exigências e premissas…

O mais importante é a qualificação de recursos humanos. A expansão da bioeconomia do guaraná depende diretamente da capacitação de profissionais. Isso inclui não apenas agricultores e trabalhadores rurais, mas também cientistas, técnicos e gestores capacitados em práticas sustentáveis e inovadoras. Investimentos em Parque Tecnológico é o passo seguinte para acompanhar as demandas do mercado e os desafios da sustentabilidade, investimentos significativos em tecnologia são essenciais. Isso abrange desde equipamentos para aprimorar o cultivo até tecnologias para o processamento eficiente e sustentável do fruto.

… da bioeconomia do guaraná

Créditos Subsidiados são a viabilização dessas operações. Créditos e incentivos fiscais – como em qualquer lugar do mundo – podem ser decisivos para pequenos produtores e para o fomento de pesquisa e desenvolvimento na área. O mundo inteiro clama pela recuperação florestal de áreas degradadas pela pecuária predatória. E a Embrapa é especialista em recuperar solos abandonados pelo uso predatório e descompromissado do lucro imediato. E os itens complementares são a legalização fundiária e a desburocratização institucional.

A economia da vida

A bioeconomia do guaraná, portanto, representa uma oportunidade única de aliar tradição e inovação, gerando desenvolvimento sustentável e valorizando a biodiversidade brasileira. Bebidas funcionais, energizantes e fitoterápicos refrigerantes com insumos suplementares que associam guaraná com açaí, muirapuama, buriti, maca peruana… As exigências operacionais da viabilidade são fundamentais para destravar este potencial econômico, garantindo que o guaraná continue a ser um símbolo de vitalidade, no desfile da economia da vida ou da bioeconomia da sustentabilidade Amazônia.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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