Entenda como Musgos ajudam a identificar locais de crimes em investigações forenses

Cientistas revelam como musgos ajudam a identificar locais de crimes, conectando pistas ambientais com precisão forense em investigações ao redor do mundo.

Os musgos estão ganhando espaço em uma área inusitada: a investigação criminal. Essas plantas, pertencentes ao grupo das briófitas, têm demonstrado um potencial promissor para ajudar a esclarecer locais e circunstâncias de crimes, inclusive em casos sem testemunhas ou evidências convencionais.

Uma revisão publicada na revista Forensic Sciences Research analisou 150 anos de literatura científica e identificou casos em que musgos foram utilizados como evidências forenses. Embora esses registros ainda sejam pouco frequentes, os autores do estudo — entre eles Matt von Konrat, do Field Museum de Chicago, e Jenna Merkel — defendem que a botânica forense permanece amplamente negligenciada. “É bem provável que investigadores simplesmente as estejam ignorando por não saberem o que estão observando”, afirma von Konrat.

Por sua estrutura simples e sensibilidade ambiental, os musgos são capazes de revelar informações detalhadas sobre o ambiente em que se desenvolvem. “Por serem tão pequenas, elas ocupam todo tipo de micro-habitat — mesmo que uma área, no geral, pareça ser de um único tipo, elas encontram um ponto que funciona para elas na sombra, na copa das árvores ou até crescendo sob as gramíneas”, explica o pesquisador. E, como vivem em associação com microrganismos, podem carregar pistas adicionais sobre o local onde foram coletadas.

O levantamento identificou ao menos 11 casos nos últimos cem anos em que briófitas auxiliaram investigações, com registros nos EUA, Europa e Ásia. O mais antigo remonta a 1929, quando a presença de musgos sobre restos mortais ajudou a estimar o tempo de morte.

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Foto: Patrick Hendry/Unsplash

Em 2011, uma bebê chamada Kate foi assassinada pelo próprio pai, que deu à polícia apenas uma indicação vaga de onde havia enterrado o corpo, no norte de Michigan. Fragmentos microscópicos de plantas encontrados nos sapatos do suspeito levantaram novas pistas. Em 2013, o botânico Matt von Konrat liderou uma equipe de cientistas e voluntários para mapear a região, catalogando espécies de gramíneas, árvores e musgos em busca de um local que correspondesse ao material vegetal presente nos calçados.

Com base nos fragmentos de musgo, a equipe conseguiu reduzir a área de busca de sete condados para um espaço de aproximadamente 50 metros quadrados. Em um interrogatório posterior, o pai confirmou que aquele era exatamente o local onde havia enterrado a filha.

“Plantas, e especificamente as briófitas, representam uma fonte negligenciada, porém poderosa, de evidências forenses, capazes de ajudar investigadores a conectar pessoas, lugares e eventos”, afirma Merkel. “Com este artigo, buscamos ampliar a conscientização sobre a botânica forense e incentivar as forças de segurança a reconhecerem o valor até mesmo dos menores fragmentos de plantas durante as investigações.”

Cientista do Field Museum analisa amostras secas de musgos usadas em investigação criminal.
botânico Matt von Konrat examina musgos coletados durante a investigação de um crime nos EUA. Foto: Field Museum

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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