MPF aponta falhas no licenciamento da Petrobras na Foz do Amazonas e pede suspensão de operação

Procuradores alertam para danos à pesca artesanal, riscos climáticos e omissão de comunidades afetadas na Foz do Amazonas.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a suspensão da Licença de Operação concedida pelo Ibama para a perfuração do bloco FZA-M-59, localizado na bacia da Foz do Amazonas. O pedido foi apresentado em um aditamento de mais de 190 páginas à Ação Civil Pública já em curso contra o empreendimento, que é conduzido pela Petrobras.

Segundo o MPF, o licenciamento ambiental apresenta falhas graves, como a ausência de medidas compensatórias para comunidades pesqueiras afetadas e o uso de modelos técnicos considerados ultrapassados para simular acidentes, como vazamentos de óleo. A Procuradoria afirma que a perfuração impacta diretamente a pesca artesanal, atividade fundamental para milhares de famílias no Pará e no Amapá, e que não foram exigidas contrapartidas mínimas por parte do Ibama.

Pescadores seguram faixas em protesto na Ilha de Marajó contra exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Pescadores da Ilha de Marajó protestam contra exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Foto: João Paulo Guimarães

Além disso, o órgão solicita a ampliação da área de influência reconhecida no processo de licenciamento, com a inclusão formal de municípios como Bragança, Augusto Corrêa, Primavera e Capanema. Em alguns desses territórios, a própria Petrobras já teria reconhecido a sobreposição entre rotas de embarcações de apoio e áreas de pesca tradicional, ou apontado a destinação de resíduos da atividade petrolífera na região da Foz do Amazonas.

O MPF também enquadra o caso como um exemplo de litígio climático, apontando que a autorização foi concedida mesmo diante de pareceres técnicos contrários e sem qualquer avaliação sobre os impactos nas metas nacionais e globais de descarbonização. Para os procuradores, o processo ignora o princípio da precaução diante da crise climática e viola o dever de consulta prévia a povos indígenas e comunidades tradicionais potencialmente afetados.

A ação pede, além da anulação da licença, a suspensão de novas autorizações para exploração de petróleo em toda a Margem Equatorial, especialmente na área sensível da Foz do Amazonas, até que haja uma análise climática completa e transparente, com participação efetiva da sociedade. O Ibama foi procurado, mas ainda não se manifestou.

Mapa da Margem Equatorial, área da costa brasileira mais próxima da Linha do Equador.
Mapa da Margem Equatorial, área da costa brasileira mais próxima da Linha do Equador | Arte: Petrobras/Divulgação
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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