Mourão anuncia saída de militares na Amazônia e plano “light” de combate ao desmatamento

Depois de quase um ano em campo, as Forças Armadas deixarão de atuar no combate ao desmatamento na Amazônia. A decisão foi confirmada por Mourão ontem (10/2), durante reunião do Conselho da Amazônia, ocasião em que ele também apresentou a nova estratégia do governo federal para as ações antidesmate na região. De acordo com o vice-presidente, a Operação Verde Brasil 2 começará a ser desativada a partir de 1º de maio, e o trabalho de fiscalização voltará a ser feito pelos IBAMA e ICMBio, com apoio de órgãos como FUNAI e INCRA, juntamente com as Polícias Federal e Rodoviária Federal.

A nova estratégia mantém o envolvimento de militares em ações contra o desmatamento, mas restrito a 11 municípios que concentram a maior parte do desmatamento ilegal na Amazônia Legal. Mourão não os identificou, mas esclareceu que a maior parte deles (sete) se localiza no Pará, além de dois municípios do Amazonas, um de Rondônia e um no Mato Grosso. Ainda não há detalhes sobre o tipo de operação que será realizada pelas Forças Armadas nesses municípios, nem o contingente e o orçamento que elas terão para realizar seu trabalho.

Um dos motivos pelos quais Mourão voltou atrás na ideia de prolongar a Operação Verde Brasil 2 até o final de 2022 foi a falta de garantias orçamentárias para manter a presença militar na Amazônia nos próximos anos. Até janeiro, o governo destinou cerca de R$ 400 milhões para o ministério da defesa para financiar as ações militares na floresta. “Em suma, vamos buscar fazer mais com menos. Lembro a nossa situação fiscal, pois o emprego das Forças Armadas requer crédito extraordinário. Caso necessário, elas estão prontas para continuar a agir”, comentou Mourão ao blog de Gerson Camarotti no G1.

Agência BrasilCNN BrasilEstadãoFolhaG1GlobonewsMetrópolesO Globo e UOL deram mais detalhes sobre o anúncio.

Em tempo 1: Recém-relançado pelo governo Bolsonaro, o programa Adote Um Parque deixou mais perguntas do que respostas. Inicialmente anunciado em meados de 2020, o decreto de criação do programa só foi publicado nesta 3ª feira (9/2) e, de cara, já contou com o anúncio de parceria com o Carrefour. No entanto, como o Política por Inteiro bem lembrou, o decreto diz que a adoção de Unidades de Conservação por empresas será realizada por meio de chamamento público: considerando que não houve um chamamento público prévio, como o Carrefour conseguiu fechar o acordo de adoção? Como é que o Carrefour faz a “adoção” antes da publicação do decreto?

Em tempo 2: Para não ficar sem apoio aéreo às atividades de fiscalização ambiental, o IBAMA terá que recorrer a um contrato de emergência por causa de atrasos burocráticos no processo de licitação para o serviço. Segundo André Borges no Estadão, o órgão gastou mais de oito meses discutindo o edital, mas não conseguiu concluir o processo a tempo. Como o contrato atual se encerra no próximo dia 26, o IBAMA arrisca ficar dias sem o serviço, inviabilizando operações de combate a ilegalidades ambientais.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A riqueza que Manaus distribui ao Brasil

Os efeitos interestaduais da Zona Franca começam a entrar...

O El Niño e a hora de rever nossa relação com a Amazônia

A seca que se aproxima exige providências emergenciais. Mas...

A Amazônia tem água. Mas por quanto tempo haverá água segura?

”Alerta da Academia Brasileira de Ciências expõe um paradoxo...

Amazonas: a hora de somar esforços

Unidade não exige pensamento uniforme. Exige apenas maturidade suficiente para reconhecer que certos desafios são maiores do que qualquer grupo, governo ou instituição.

Trump amplia ofensiva contra regras ambientais da Europa

EUA pressionam pela flexibilização das regras ambientais da União Europeia e alegam impactos sobre empresas e o comércio transatlântico.