“A combinação entre agricultura, inovação tecnológica e empreendedorismo transformou o agro brasileiro em potência global e oferece caminhos de cooperação do Brasil para a África”
“Empresário Denis Minev leva ao Banco Mundial a experiência brasileira de transformação agrícola como referência para geração de empregos no continente africano.”
A África voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico global. Com uma população jovem em rápido crescimento e a necessidade de criar milhões de empregos nas próximas décadas, o continente tornou-se prioridade para governos, instituições multilaterais e investidores internacionais.
Esse foi o pano de fundo do encontro internacional “Laying the Groundwork for Jobs in Africa”, promovido pelo Banco Mundial em Roma, reunindo líderes políticos, economistas, empresários e especialistas em desenvolvimento para discutir caminhos concretos para geração de trabalho e renda no continente.

Entre os participantes do debate esteve o empresário brasileiro Denis Minev, membro do High Level Advisory Council on Jobs do Banco Mundial, que levou ao fórum internacional uma reflexão baseada na experiência do Brasil na transformação de sua agricultura.
Segundo ele, a principal mudança necessária não está apenas na tecnologia ou nos investimentos, mas na forma de pensar a atividade agrícola.
“A agricultura precisa ser tratada como um negócio”, afirmou Minev durante sua intervenção.
Para o empresário, a transição do agricultor tradicional para o empreendedor rural é uma das condições essenciais para aumentar produtividade, renda e capacidade de inovação no campo.
Essa mudança de mentalidade foi justamente um dos fatores que ajudaram o Brasil a se tornar uma das maiores potências agrícolas do mundo nas últimas décadas.
A revolução agrícola brasileira
O Brasil passou por uma transformação estrutural profunda no setor agrícola. Até a década de 1970, o país ainda era importador de alimentos. Em poucas décadas, tornou-se um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do planeta.
Essa mudança teve como base três pilares principais: ciência aplicada, empreendedorismo e extensão tecnológica.
A criação da Embrapa, em 1973, estabeleceu a infraestrutura científica que permitiu adaptar culturas agrícolas a condições tropicais. Pesquisadores desenvolveram variedades de soja, milho e outras culturas capazes de prosperar em solos antes considerados inadequados para a agricultura.
Um exemplo emblemático foi a transformação do Cerrado brasileiro em uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo.
Além da pesquisa científica, a disseminação dessas tecnologias ocorreu por meio de um sistema amplo de assistência técnica e extensão rural. Fazendas experimentais e projetos demonstrativos ajudaram agricultores a observar na prática novas técnicas de produção antes de adotá-las em suas propriedades.
Segundo Minev, esse modelo oferece um caminho possível para países africanos que enfrentam desafios semelhantes de clima, solo e acesso à tecnologia.

Empreendedorismo rural
Outro elemento decisivo da experiência brasileira é a formação empreendedora. Instituições como o SEBRAE desenvolveram programas voltados para capacitar produtores rurais em gestão, planejamento e inovação. Um dos exemplos mais conhecidos é o programa Empretec, metodologia internacional de desenvolvimento de competências empresariais aplicada a milhares de empreendedores.
Ao combinar ciência agrícola com formação empresarial, o Brasil criou um ambiente em que produtores rurais passaram a atuar como gestores de negócios, não apenas como agricultores.
Esse modelo ampliou a capacidade de investimento, a adoção de tecnologias e a integração aos mercados nacionais e internacionais.
Inteligência artificial no campo
Uma nova transformação começa agora a moldar o futuro da agricultura global: a digitalização. Durante sua participação no evento do Banco Mundial, Denis Minev destacou que a inteligência artificial tende a desempenhar um papel crescente no aumento da produtividade agrícola.
Ferramentas digitais permitem automatizar processos, gerar análises de dados e apoiar decisões estratégicas mesmo em empresas de pequeno porte.
Segundo ele, a porta de entrada para essa transformação está na capacitação das equipes. Empresas com algum nível de alfabetização digital já podem utilizar ferramentas amplamente disponíveis para melhorar gestão, planejamento e inovação.
O desafio africano
A África reúne condições naturais importantes para expansão agrícola. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios estruturais relacionados à produtividade, infraestrutura e qualificação da força de trabalho.
Iniciativas internacionais como o Plano Mattei, liderado pela Itália em parceria com o Banco Mundial, buscam justamente construir bases para um novo ciclo de desenvolvimento no continente.
O plano envolve atualmente 14 países africanos e concentra esforços em setores estratégicos como energia, agricultura e infraestrutura.
Para Minev, o sucesso dessas iniciativas dependerá da capacidade de integrar ciência, empreendedorismo e tecnologia.
A experiência brasileira demonstra que, quando esses elementos se combinam, a agricultura deixa de ser apenas uma atividade de subsistência e passa a funcionar como motor de desenvolvimento econômico.
Nesse sentido, as lições do Brasil podem ajudar a inspirar novos caminhos para um continente que busca transformar potencial agrícola em prosperidade social.
O que é o Plano Mattei
O Plano Mattei é uma estratégia do governo italiano para ampliar a cooperação econômica com países africanos. Inspirado na figura de Enrico Mattei, fundador da estatal energética ENI, o plano busca estabelecer parcerias estruturais em setores como energia, agricultura, infraestrutura e educação.
A iniciativa envolve atualmente 14 países africanos e conta com apoio de instituições multilaterais como o Banco Mundial. O objetivo central é criar bases sustentáveis para geração de empregos e crescimento econômico no continente.
Quem é Denis Minev

Denis Minev é empresário brasileiro e CEO da Bemol, uma das maiores empresas de varejo da Amazônia.
Ele integra o High Level Advisory Council on Jobs do Banco Mundial, grupo internacional responsável por aconselhar a instituição em políticas voltadas à geração de emprego e desenvolvimento econômico.
Minev participa de debates globais sobre empreendedorismo, inovação e desenvolvimento sustentável, levando a experiência brasileira para fóruns internacionais.
| A fórmula da revolução agrícola brasileira
Três fatores explicam a transformação agrícola do Brasil:
• Ciência aplicada — pesquisa agropecuária liderada pela Embrapa
• Extensão rural — disseminação prática de tecnologia entre produtores
• Empreendedorismo — formação empresarial e gestão no campo
A combinação desses elementos permitiu ao país aumentar produtividade, expandir exportações e consolidar o agronegócio como um dos motores da economia brasileira.
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