Descarbonização é alvo de mais de US$1 trilhão em investimentos nos Estados Unidos

A busca pela descarbonização por empresas e pessoas tem motivado direcionamento de recursos para políticas de transição econômica e energética no país

Nos últimos três anos, os Estados Unidos aprovaram uma série de leis para gastar mais de US$ 1 trilhão em descarbonização. O Inflation Reduction Act (IRA) e a Bipartisan Infrastructure Law (BIL) direcionam esses recursos para políticas que acelerarão a transição do país para uma economia de baixo carbono, como créditos fiscais para energias renováveis e subsídios federais para veículos elétricos. Os dados constam no estudo “How to spend one trillion dollars: the US decarbonization conundrum” publicado na revista científica Nature na última terça (29).

A descarbonização consiste na busca pela redução e, a longo prazo, eliminação da emissão de CO2 pelas empresas e pelas pessoas, em setores industriais, de transporte e produção de energia. Esse processo é essencial para combater as mudanças climáticas, já que o excesso de CO₂ na atmosfera contribui para o efeito estufa, aumentando a temperatura global.

Créditos fiscais para energias renováveis e subsídios federais para veículos elétricos são algumas formas de investimento em descarbonização
Créditos fiscais para energias renováveis e subsídios federais para veículos elétricos são algumas formas de investimento em descarbonização | Foto: Jem Sanchez/Pexels

Desafio será engajar a mudança na população

Segundo a análise feita no estudo, os governos norte-americanos enfrentarão escolhas difíceis sobre quais programas priorizar e como projetá-los para maximizar a participação de famílias e empresas. Existem muitas incertezas em relação à mudança de comportamento das pessoas, incluindo como aumentar o uso do transporte público, substituir tecnologias de aquecimento à base de combustíveis fósseis por alternativas elétricas e incentivar os agricultores a adotarem práticas de baixo carbono.

O desafio para os formuladores de políticas é direcionar esses incentivos de forma a motivar a mudança de comportamento da maneira mais eficaz. Isso significa focar naqueles que realmente precisam dos incentivos para agir, evitando pagamentos desnecessários a quem já tomaria essa atitude sem eles. Por exemplo, seria mais eficaz usar recursos para incentivar alguém que está indeciso sobre comprar um veículo elétrico do que destinar o dinheiro a alguém que já comprou um ou planeja fazê-lo.

Dessa forma, parcerias com pesquisadores para avaliar o desempenho dos programas de descarbonização e, em seguida, aprimorá-los serão essenciais para garantir que esses investimentos alcancem seu maior impacto no país.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A insensatez de incendiar a floresta que abastece o Brasil

Com a chuva gerada pela Amazônia avaliada em mais...

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos, aponta MapBiomas

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 41 anos, com 693 mil hectares perdidos em 2025, aponta MapBiomas.

Incêndios no Amazonas: Abin entra na investigação para apurar suspeita de ação organizada

Ministro aponta suspeita de ação organizada nos incêndios no Amazonas. Força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar possíveis crimes.

Promessa de Flávio Bolsonaro contra desmatamento contrasta com atuação no Senado

Flávio Bolsonaro promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas apoiou e promoveu medidas que reduzem a proteção ambiental.

As miragens de Trump e a conta para o Brasil

"Os Estados Unidos acumulam uma década de superávits comerciais...