Coalizão internacional propõe novo salto no investimento em energia renovável, mas alerta para exclusão de projetos de transmissão das regras climáticas atuais.
Durante a segunda semana da COP30, em Belém, as principais empresas do setor elétrico mundial anunciaram a nova meta coletiva de destinar US$ 1 trilhão em investimento em energia renovável até o final desta década. A iniciativa é liderada pela Utilities for Net Zero Alliance (UNEZA), coalizão que reúne 73 companhias globais do setor de eletricidade e serviços públicos.
A meta anual de aportes foi elevada de US$ 117 bilhões para US$ 148 bilhões, como forma de acelerar a transição energética global. Apesar do avanço, um relatório divulgado pela Green Grids Initiative alerta que mais de 60% dos projetos de transmissão e armazenamento de energia seguem fora dos padrões atuais de financiamento climático. O documento, endossado por governos como os da Alemanha e Reino Unido, defende novos critérios e mais acesso a recursos para viabilizar redes elétricas modernas e sustentáveis.
O relatório destaca ainda que a expansão das redes pode ser decisiva para descarbonizar regiões ainda dependentes de combustíveis fósseis. Para Dan Ioschp, Climate Champion da COP30, o crescimento de apenas 9% no investimento em energia renovável registrado em 2024 é um sinal claro de que faltam recursos e coordenação global. “Se conseguirmos alinhar capital, capacidade e colaboração, poderemos acelerar essa transição não como obrigação, mas como oportunidade econômica da nossa geração”, afirmou.
No Brasil, o secretário nacional de Transição Energética, Gustavo Ataíde, destacou projetos em andamento para fortalecer a infraestrutura elétrica, como a nova linha de transmissão de corrente contínua de alta tensão (HVDC), com 2,5 mil km e capacidade para 3 GW. A proposta é ampliar a integração das fontes limpas ao sistema nacional e atrair mais investimento em energia renovável no país.