Carlos Nobre liderou a entrega de carta na COP30 com apelo por soluções concretas para conter o avanço da crise climática e proteger ecossistemas globais.
Pesquisadores, lideranças indígenas, políticos e representantes da sociedade civil entregaram, nesta segunda-feira (17), uma carta ao vice-presidente Geraldo Alckmin pedindo medidas imediatas contra a crise climática. O documento, apresentado pelo climatologista Carlos Nobre durante a segunda semana da COP30, propõe um plano para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e proteger ecossistemas tropicais ameaçados.
“Vamos entregar para todos os delegados e esperamos que eles entendam a emergência climática que estamos vivendo”, afirmou Nobre. Para ele, a COP30 precisa ser um divisor de águas na resposta global à crise do clima. O cientista reforçou que a transição energética pode ser acelerada de três a cinco vezes e que a redução das emissões precisa ocorrer com urgência: “É realmente factível reduzir muito o uso de combustíveis fósseis. Hoje, aproximadamente 75% das emissões vêm da queima de combustíveis fósseis.”
Um dos alertas mais contundentes da carta diz respeito ao risco iminente de ultrapassar limites perigosos do aquecimento global. “Para evitar que a temperatura passe de 1,7 °C – porque já sabemos que vai passar de 1,5 °C – temos que acelerar demais a redução das emissões”, disse Nobre. O avanço da crise climática pode levar a mudanças irreversíveis no sistema terrestre, segundo os cientistas.
A Amazônia e os recifes de corais tropicais foram destacados como ecossistemas em ponto crítico. A floresta enfrentou uma das piores secas da história recente e contabilizou mais de 140 mil focos de incêndio, o maior número em quase duas décadas. A estiagem foi agravada por mudanças climáticas induzidas pela ação humana, tornando-se 30 vezes mais provável, de acordo com estudos. O documento pede que os compromissos da COP30 estejam à altura da gravidade do momento e marquem o início de uma resposta concreta e coordenada para proteger a vida no planeta.