Estudante de 17 anos desenvolve máquina que remove poluição de microplásticos do solo

A invenção pode ajudar a resolver a ameaça dos microplásticos em ambientes terrestres, sendo capaz de retirar até 50% de resíduos plásticos do solo

Um jovem de 17 anos criou uma máquina capaz de remover microplásticos do solo com até 50% de eficiência. Com o projeto RECIPLA – Removedor Cíclico de Microplásticos, o aluno João Miguel Sastre foi premiado com o primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias da 6ª FeNaDANTE, feira científica do Colégio Dante Alighieri, que aconteceu em São Paulo (SP) no mês de setembro.

Nós ingerimos o equivalente a um cartão de crédito por ano em microplásticos”, afirma o aluno. Assim, determinado a apresentar uma solução para ajudar a mudar esse cenário, o estudante do 3ª ano do ensino médio utilizou um gerador Van de Graaff para transformar energia mecânica em energia eletrostática. Depois, conectou um fio condutor a uma placa metálica que, com a energia gerada, puxa o resíduo da amostra de solo como um imã, permitindo a remoção do poluente do solo.

Estudante brasileiro desenvolve máquina que remove microplásticos do solo
Protótipo da máquina que retira microplásticos do solo, desenvolvida pelo estudante. Fotos: Divulgação | Colégio Dante Alighieri

Qual o perigo dos microplásticos?

Microplásticos são pequenas partículas de plástico, geralmente com menos de 5 milímetros de diâmetro, que se formam a partir da degradação de objetos plásticos maiores ou são fabricados já nesse tamanho, como em microesferas de cosméticos e produtos de limpeza. Podem medir de 0,1 a 5000 μm e, no caso dos nanoplásticos, de 1 a 100 μm (micrômetros).

Esses minísculos pedaços de plástico representam uma ameaça significativa para o meio ambiente e a saúde humana, pois podem ser ingeridos por organismos marinhos e entram na cadeia alimentar. Eles se acumulam nos oceanos, rios e solos, persistindo no ambiente por longos períodos, devido à sua resistência à decomposição natural. Segundo cientistas da Universidade Kyushu, no Japão, só as camadas mais superficiais dos oceanos estão contaminadas por 24,4 trilhões de microplásticos.

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Foto: Fly D | Unsplash

Essas partículas podem alterar a estrutura do solo, afetando sua capacidade de reter água e nutrientes, interferir em processos de decomposição, absorver e transportar poluentes e ainda impactar na agricultura, reduzindo sua produtividade pela dificuldade de retenção de nutrientes.

Os resultados da invenção de João Miguel indicaram uma eficácia de até 20% na remoção dos microplásticos do solo na primeira tentativa e, depois de refazer o processo três vezes, o aluno conseguiu remover 50% do microplástico encontrado na amostra. Assim, o aluno concluiu que para eliminar a maior parte do resíduo, o processo deve ser cíclico.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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