Inteligência Artificial pode, com limites, melhorar funcionamento da sociedade

Fábio Cozman analisa os aspectos estratégicos da Inteligência Artificial em evento a ser realizado no próximo dia 7

Evento organizado pelo Centro de Inteligência Artificial (C4AI), sediado na USP, abordará aspectos estratégicos da Inteligência Artificial no Brasil. O intuito é discutir, junto a especialistas do setor e representantes da sociedade civil, as diretrizes para a ampla implementação de sistemas artificiais nas diferentes áreas da sociedade. O encontro será ao vivo, no canal do YouTube do C4AI, no dia 7 de maio, sexta-feira, das 11h às 13h.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Fábio Cozman, professor da Escola Politécnica da USP e diretor do Centro de Inteligência Artificial (C4AI) da USP, revela que a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial é um documento lançado recentemente que explica como essa tecnologia pode ser utilizada para melhorar condições de vida e produtividade no Brasil. “Essa estratégia foi produto de um longo período de gestação e acompanha uma série de iniciativas ao redor do mundo. É um documento substancial que tem diferentes seções: aborda a indústria, saúde, legislação, tem seus aspectos positivos e negativos. Acho que o debate será muito interessante.”

Cozman informa que o objetivo do documento é definir linhas gerais e demonstrar a necessidade de preparo da sociedade para algumas mudanças proporcionadas pela tecnologia, além de abordar ética, regulação e privacidade: “E sobre como o País pode se beneficiar disso, realizando ajustes à sua governança; como o País pode dar subsídios para o desenvolvimento dessa tecnologia; como pode usar essa tecnologia em segurança pública, aplicações dentro do próprio poder público, melhora do serviço; como o setor produtivo pode se beneficiar. Tudo isso está abordado no documento lançado pelo governo”. Apesar de o documento abordar questões essenciais para o estabelecimento da Inteligência Artificial, ainda não é claro quanto às metas e subsídios: “O documento foi lançado, mas ainda não tem investimentos específicos, valores específicos, datas bem definidas sobre metas. Acho que o documento tem aspectos que precisam ser construídos”.

O professor informa que a preocupação ética quanto à construção da Inteligência Artificial tem aumentado nos últimos dez anos: “A tecnologia se materializou e se tornou muito mais concreta. Tem havido uma preocupação sobre como esses computadores reproduzem atividades que podem ser de alguma forma controladas para que não causem nenhum dano ou prejuízo”. Uma das preocupações é como garantir que o computador tome decisões transparentes e interpretáveis, não reproduza discriminação ou comportamentos sociais errados e assegure a privacidade dos usuários: “Uma preocupação é como garantir que o computador tome uma decisão de forma clara, interpretável e transparente. Outro aspecto é garantir que um sistema artificial não tomará decisões que são discriminatórias. Isso pode acontecer, porque o sistema pode estar seguindo regras erradas ou pode estar reproduzindo comportamentos da sociedade que são errados, então é preciso garantir que não haja viés de nenhum aspecto. Outra questão é a privacidade, como proteger a privacidade das pessoas, porque esses sistemas que funcionam hoje coletam muitos dados e usam esses dados para tomar decisões, portanto, é importante garantir que as pessoas não tenham sua privacidade defasada nesse processo”.

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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