Insetos polinizadores impulsionam mais de R$700 milhões da economia amazônica

Em um avanço significativo para a ciência agrícola e ambiental, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Tecnológico Vale (ITV) desvendaram o papel crucial dos insetos polinizadores de palmeiras na Amazônia, uma descoberta que desafia a crença anterior de que o vento era o principal agente polinizador dessas plantas. Publicado na revista “Arthropod-Plant Interactions” no dia 14, o estudo destaca que abelhas e besouros são essenciais para a produção de frutos, incluindo o açaí, contribuindo com um valor estimado em R$ 706 milhões anuais para a economia regional.

A pesquisa ilumina a dependência do açaí, uma das principais culturas da região, dos serviços de polinização, representando 92% do valor total estimado. Esses dados são fundamentais, considerando que o açaí predomina no estado do Pará, um dos maiores produtores da fruta no país. Utilizando informações do Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os cientistas calcularam que a produção anual de treze espécies de palmeiras na Amazônia Legal gera aproximadamente R$1,17 bilhões, dos quais 85% são atribuídos ao açaí.

A análise revelou que 60% do valor da produção agrícola das palmeiras é gerado pelo trabalho dos polinizadores. Estes insetos são vitais para o transporte de pólen entre as flores, assegurando não apenas a produção de frutos, mas também a sobrevivência de outras espécies que se alimentam nessas plantas. Aproximadamente 61% do valor da polinização é proveniente exclusivamente de frutos de palmeiras de áreas florestais.

Tereza Cristina Giannini, pesquisadora do ITV e coautora do estudo, ressalta a importância das palmeiras para as comunidades tradicionais e sugere que os valores econômicos encontrados podem estar subestimados. O estudo também enfatiza a necessidade de preservar os polinizadores, não apenas por sua contribuição econômica, mas como parte essencial do ecossistema para a produção de alimentos.

Os cientistas apontam as abelhas e os besouros como os principais polinizadores das palmeiras na região, destacando a importância particular dos besouros, muitas vezes subestimados em comparação com as abelhas. William de Oliveira Sabino, pesquisador do ITV e coautor do estudo, destaca a relevância desses insetos para a polinização das palmeiras, chamando a atenção para a necessidade de estudos adicionais e medidas de conservação que garantam a continuidade desses serviços vitais.

insetos polinizados
Foto: Eduardo Cesar / Revista Pesquisa FAPESP

Mudanças climáticas ameaçam insetos polinizadores e produção agrícola na Amazônia

Os impactos das mudanças climáticas sobre os polinizadores, essenciais para a biodiversidade e a produção agrícola na Amazônia, têm despertado grande preocupação entre os cientistas. William de Oliveira Sabino, pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e coautor de um estudo significativo sobre o papel dos polinizadores na produção de frutos de palmeiras, destaca a interdependência entre as comunidades, a floresta e seus polinizadores.

Sabino alerta para as consequências das alterações ambientais no habitat natural desses animais, o que pode afetar diretamente a produção agrícola na região. “Existe um ciclo de dependência entre as pessoas e a floresta que, por sua vez, depende de polinizadores para continuar existindo”, afirma o pesquisador, enfatizando a relação simbiótica que sustenta a biodiversidade e a economia local.

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Foto divulgação

A pesquisa, que revelou a importância dos insetos como abelhas e besouros na polinização de palmeiras, sublinha a necessidade de conservar esses polinizadores não apenas para a produção de frutos, como o açaí, mas também para garantir a resiliência da floresta diante das mudanças climáticas. As alterações no clima podem alterar os ciclos de vida dos polinizadores, sua distribuição geográfica e a disponibilidade de recursos, impactando negativamente a polinização.

Diante desse cenário, Sabino defende a urgência de desenvolver e implementar soluções práticas para preservar os processos de polinização na Amazônia. Isso inclui ações de conservação dos habitats naturais, pesquisas adicionais sobre os efeitos das mudanças climáticas nos polinizadores e políticas públicas que integrem a proteção ambiental com o desenvolvimento sustentável.

A pesquisa sobre os polinizadores e os efeitos das mudanças climáticas reforça a importância de uma abordagem holística que considere a saúde do ecossistema, a segurança alimentar e o bem-estar das comunidades locais. Enfrentar esses desafios requer colaboração entre cientistas, governos, organizações não governamentais e a sociedade civil, destacando a necessidade de uma ação coletiva para preservar a rica biodiversidade da Amazônia e garantir um futuro sustentável para a região.

*Com informações UM SÓ PLANETA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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