INPA: um instituto de oportunidades

É necessário unir, não sobressair. Não sou eu. Somos nós. As pesquisas de ponta indicam isto. Um atrelado coeso e uníssono para ditar as respostas no momento certo ou até mesmo prevendo demandas futuras, como a gestão da inovação indica

Por Marcela Amazonas
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O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia ( INPA ) foi criado em 1954, depois de experiências relativamente exitosas com outros institutos federais, como o INT (1921) e o IMPA (1952). Como o restante da ciência brasileira, ele não tem mais o entusiasmo da juventude, nem os recursos financeiros para fazer o seu papel. 

Pela falta de recursos, a política passou a ser mais importante que a ciência em uma boa parte de seu ambiente. Todavia, o descaso com o INPA é de décadas e não de um único governo. É um dos emblemas do descaso do país com a Amazônia. De um potencial norteador de políticas públicas, para um reducionismo institucional, há uma distância expressiva. 

Não há reparos de equipamentos, porque não há orçamento de custeio, ficando a dependência para editais que contemplem manutenção de equipamentos antigos. Com isso, as salas ficam fechadas e pesquisadores se dizendo isolados e abandonados no básico.

O marco legal do INPA precisa evoluir ou ele será levado para a insignificância histórica. A “virada” que o quase homônimo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) fez, precisa ser realizada por aqui. Há de onde aprender, mas será preciso uma decisão de seus líderes e apoio político externo. Alguém quer encarar?

É necessária a gestão tecnológica, da inovação e de pessoas, mas com a cara do século XXI. Urge a capacidade de ser livre das amarras regimentais que levam a paralisia. Pesquisa é sacerdócio, é ofício para um bem maior. Entretanto, sem dinheiro, não há pesquisa. Pesquisa aplicada para produtos só acontece após muita pesquisa básica. Não “sou eu” quem descobre, mas um grupo, com alunos, com recurso público e privado, irmanados por um alvo que gere riquezas. Pesquisadores são como caçadores de respostas para uma sociedade.

INPA
Casa da Ciência – Foto reprodução

É preciso investir, manter grupos, não mudar organogramas por meros agraciamentos e aguardar o tempo de resposta da pesquisa. A pesquisa financiada pelo Estado mostra pelo mundo seu poder, mas no Brasil ela engatinha em ser pontual e modinha. Há pesquisas de décadas usadas agora ou vistas com olhar mais atento agora. Pesquisar atualmente é ir atrás de recursos e atender demandas. Demandas focadas e bem guiadas pela gestão competente.

É necessário unir, não sobressair. Não sou eu. Somos nós. As pesquisas de ponta indicam isto. Um atrelado coeso e uníssono para ditar as respostas no momento certo ou até mesmo prevendo demandas futuras, como a gestão da inovação indica. Eu posso responder o que ainda virá. Mas, por aqui, se respondermos o que carecemos há tempos já será um grande avanço.

Pesquisa focada em um planejamento estratégico baseado na realidade do seu meio. Sem cópias de outros órgãos ou sem considerar suas particularidades. O que o caboclo precisa? Como gerar emprego e renda em uma Região totalmente dependente da Zona Franca? Que pesquisas já esboçam um novo trajeto? Perguntas diretas, respostas urgentes. Ego, adeus; a hora é agora e o momento pede o nós e o nós em ação.

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Marcela Amazonas, formada em Tecnologia Indústria da Madeira pela UTAM, com especialização em Agente de Inovação e Difusão Tecnológica – AGINTEC pela ABIPTI, Mestre em Ciências Florestais e Ambientais pela UFAM. Pesquisadora responsável pelo Laboratório de celulose e papel/carvão vegetal desde 2005. Instrutora de Formação de preço pelo SEBRAE/AM, avaliadora ad hoc pela FAPEAM e professora de pós na UEA das disciplinas: Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, Educação Ambiental e Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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