Com clima mais quente e ecossistemas desequilibrados, fungos ambientais se espalham pelas cidades e elevam o impacto dos fungos na saúde pública urbana.
Um surto de histoplasmose no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória (ES), evidenciou um problema crescente na saúde pública. Entre setembro e outubro de 2025, mais de 30 pessoas, incluindo pacientes, funcionários e acompanhantes, foram diagnosticadas após inalar esporos do Histoplasma capsulatum, identificados no próprio ambiente hospitalar.
Tradicionalmente associados a cavernas e zonas rurais, esses fungos estão se adaptando às cidades. Estudos mostram que morcegos urbanos já abrigam o Histoplasma. A dispersão de esporos pelo ar pode ser intensificada por obras, poeira e falhas na ventilação de hospitais.

As mudanças climáticas também são um fator-chave. Segundo o CDC e a Universidade de Michigan, o aumento da temperatura e de eventos extremos favorecem a liberação e expansão de fungos como Aspergillus fumigatus e Cryptococcus neoformans,. Esse novo cenário amplia significativamente o impacto dos fungos na saúde das populações urbanas.
O desmatamento e a urbanização desordenada também agravam o problema, ao expor solos ricos em matéria orgânica e criar ambientes propícios à proliferação desses microrganismos. Já em hospitais, obras, reformas e falhas na manutenção dos sistemas de ar-condicionado podem facilitar a entrada e a circulação dos esporos, elevando o impacto dos fungos na saúde de grupos mais vulneráveis, como pacientes imunossuprimidos.
Especialistas alertam para a necessidade de se ampliar a vigilância sanitária além de bactérias e vírus, incorporando os fungos como ameaça crescente à saúde coletiva. Doenças fúngicas invasivas já causam mais de 1,5 milhão de mortes por ano no mundo. A crise fúngica é um reflexo direto das mudanças ambientais em curso e, diante do impacto dos fungos na saúde humana, cientistas defendem que os protocolos de biossegurança e atuação integrada sejam atualizados.
