Ilha do Combu vira modelo de ecoturismo na Amazônia

O ecoturismo comunitário se consolidou como uma nova alternativa de renda local e também como um símbolo de resistência e reinvenção na Amazônia paraense

Há dez anos, a principal fonte de sustento das famílias ribeirinhas da Ilha do Combu, em Belém, era baseada na pesca e na colheita de açaí, realizada manualmente. Com o passar do tempo, o crescimento do turismo e a valorização ambiental transformaram a realidade local. Atualmente, pequenas embarcações, restaurantes, chalés e centros de vivência movimentam a economia e os sonhos dos moradores da região. O ecoturismo comunitário se consolidou como uma nova alternativa de renda local e também como um símbolo de resistência e reinvenção na Amazônia paraense.

Segundo o Boletim de Inteligência de Mercado 2023, divulgado pelo Sebrae do Pará, esse desenvolvimento é comprovado pelos números: entre 2010 e 2020, o número de estabelecimentos na Ilha do Combu cresceu mais de 800%, alcançando 32 empreendimentos registrados.

Ilha do Combu vira modelo de ecoturismo na Amazônia.
Ilha do Combu vira modelo de ecoturismo na Amazônia | Foto: Reprodução/Esse Mundo é Nosso

O ecoturismo é uma modalidade de turismo que valoriza o patrimônio natural e cultural de maneira sustentável, promovendo a sua conservação e despertando a consciência ambiental nos visitantes. Além disso, busca garantir o bem-estar das comunidades locais, oferecendo geração de renda e oportunidades de desenvolvimento socioeconômico.

Entre os anos de 2018 e 2020, o Brasil recebeu cerca de 19 milhões de turistas estrangeiros. Segundo dados do Ministério do Turismo, 18,6% desses visitantes escolheram o país especificamente para atividades de ecoturismo, o que demonstra o crescente interesse internacional por experiências sustentáveis em ambientes naturais brasileiros. A importância desse modelo fica ainda mais em evidência com a celebração do Dia Nacional do Turista em 13 de junho, criado com o objetivo de conscientizar toda a população sobre as belezas naturais e culturais que formam o Brasil.

Transporte fluvial

A transformação econômica da Ilha do Combu começou pelas águas do rio. Há dez anos, foi criada a Coopertrans, uma cooperativa de transporte fluvial formada por moradores das ilhas da região. Inicialmente composta por 20 cooperados, hoje a cooperativa conta com 52 integrantes. Deborah Vieira, gerente financeira da Coopertrans e do terminal fluvial de acesso ao Combu, além de moradora da ilha Murutucu, destaca em entrevista ao portal O Liberal que as travessias são responsáveis por cerca de 80% da renda das famílias dos cooperados.

Duas cooperativas operam em sistema de revezamento semanal no transporte de passageiros entre Belém e o Combu. Em 2024, a Coopertrans Combu registrou o transporte de mais de 75 mil passageiros apenas durante suas semanas de operação.

Viver e valorizar a Amazônia

As lanchas movimentam o corpo da Ilha do Combu, mas a alma do ecoturismo está nas experiências que ela oferece. Charles Teles, morador da região de Periquitaquara, fundou há seis anos a Ygara Turismo, um espaço dedicado a vivências culturais e uma loja colaborativa que valoriza o artesanato local. O projeto começou com peças produzidas por ele e por sua família, mas hoje reúne criações de mais de 20 artesãos provenientes de diversas ilhas da região, fortalecendo a economia criativa e promovendo a cultura amazônica.

“Percebemos que tínhamos muito a mostrar: vivência do açaí, do chocolate, banho de cheiro, trilha na floresta… tudo isso tem valor”, explica Charles. Desde o anúncio de que Belém sediará a COP-30, o interesse cresceu 80%, segundo ele. Ao valorizar o que é local, ele fortalece não só sua família, mas outras 20 — um elo da bioeconomia, em que o conhecimento tradicional se transforma em produto turístico sustentável.

Charles mostra os produtos típicos da região.
Charles mostra os produtos típicos da região | Foto: Igor Mota/O Liberal

Ecoturismo e preservação ambiental

As atividades turísticas na ilha procuram, de diferentes formas, valorizar a floresta e aliar a geração de renda com ações sustentáveis de preservação. Um exemplo é o restaurante de de Dona Prazeres, que mantém há 43 anos o estabelecimento fundado por seu pai e tio funcionando como referência de práticas sustentáveis.

No espaço, são utilizados biodigestores para tratar os resíduos orgânicos, gerando gás e biofertilizante, que retornam ao ciclo produtivo local. Além disso, os resíduos vegetais são compostados, e o óleo de cozinha usado é reaproveitado na produção de sabão e sabonete. Prazeres acredita que os turistas de hoje buscam por isso: turismo consciente. “Percebo que eles procuram por uma experiência na natureza mas que seja de forma pensada e respeitosa”, disse.

Além de restaurante, o espaço administrado por Dona Prazeres, conta com uma loja que também é colaborativa.
Além de restaurante, o espaço administrado por Dona Prazeres, conta com uma loja que também é colaborativa (Foto: Igor Mota | O Liberal)

A reportagem completa está disponível no portal O Liberal, clicando aqui.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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