Ibama confisca mais de 20 equipamentos de Elon Musk no garimpo ilegal

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou suas ações contra o garimpo ilegal na Amazônia, resultando na apreensão de 32 aparelhos da Starlink em áreas de mineração ilegal. Estes dispositivos são parte da rede de internet via satélite liderada pelo empresário Elon Musk. As operações, realizadas entre abril de 2023 e março de 2024, abrangem cerca de 20 locais em quatro estados diferentes, revelando a extensão do uso da tecnologia em atividades ilícitas.

Os agentes do Ibama apontam que a adesão ao serviço da Starlink tem sido quase universal nos garimpos ilegais durante o último ano. Esta ampla utilização está ligada à eficácia da comunicação que a tecnologia proporciona aos garimpeiros, facilitando a coordenação de suas atividades remotas e ilícitas. A maioria dos 90 dispositivos de internet apreendidos pelo Ibama neste período não teve sua marca registrada, o que sugere que o número real de aparelhos da Starlink pode ser ainda maior.

Entre os casos mais alarmantes estão a apreensão de nove antenas na terra indígena Yanomami e outras doze no Vale do Javari, no Amazonas. A presença desses equipamentos em terras indígenas é particularmente preocupante devido à grave crise humanitária que essas áreas enfrentam, exacerbada pela invasão e destruição ambiental causada pelo garimpo ilegal.

Essas ações do Ibama não só visam combater a mineração ilegal mas também mitigar os impactos negativos sobre as comunidades indígenas e a biodiversidade local. A continuidade dessas operações é crucial para proteger um dos biomas mais ricos e diversos do planeta.

IBAMA
Equipamento da Starlink de Elon Musk apreendido em garimpo ilegal na Amazônia/Divulgação

Starlink de Elon Musk lidera mercado de internet via satélite na Amazônia

Desde seu lançamento na região em setembro de 2022, a Starlink, empresa de internet via satélite fundada pelo magnata sul-africano Elon Musk, consolidou-se como líder no fornecimento de banda larga fixa por satélite na Amazônia Legal. Um levantamento recente da BBC News Brasil revela que a Starlink já instalou antenas em 90% dos municípios da região até julho deste ano, destacando-se como a principal provedora de internet nessa vasta e muitas vezes inacessível área.

A rápida expansão da Starlink na Amazônia reflete o crescente interesse e a necessidade de serviços de comunicação confiáveis em locais remotos. A capacidade de fornecer conectividade de alta velocidade em áreas onde outras formas de infraestrutura de internet são limitadas ou inexistentes posicionou a Starlink como uma opção vital para muitos municípios amazônicos.

antena da starlink instalada em meio a garimpo no rio mucajai na terra indigena yanomami
Imagem: Colaboração / Agentes do Ibama

Este avanço também aponta para o potencial de crescimento no mercado de telecomunicações na região, onde a conectividade é essencial não só para o desenvolvimento socioeconômico, mas também para questões de segurança e saúde. A presença maciça da Starlink na Amazônia ressalta a importância de tecnologias de comunicação avançadas em superar os desafios logísticos e geográficos da região.

*Com informações TERRA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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