Governo comemora queda em queimadas, mas número de focos cresce na Amazônia

Bioma registrou alta de 13% no número de focos de queimadas entre janeiro e julho de 2022, em comparação com 2021. Período seco começa agora para maioria dos biomas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou uma nota na tarde da última quarta-feira (3) comemorando a queda nos focos de queimadas no Brasil no primeiro semestre do ano. Segundo o MMA, somados, “os biomas apresentaram queda de, aproximadamente, 3,5% em relação ao mesmo período de 2021”.

A queda, de acordo com a pasta ambiental, deveu-se aos esforços do Governo Federal no combate aos incêndios e no aumento do efetivo de brigadistas. 

O MMA, no entanto, não citou em sua nota que o período mais seco do ano para a maioria dos biomas brasileiros, como Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, quando há maior número de queimadas, portanto, está compreendido justamente entre agosto e novembro.

A nota também não diz que para alguns dos principais biomas brasileiros, como Amazônia e Cerrado, o número de focos cresceu nos primeiros meses de 2022, em comparação com 2021.

Na Amazônia, entre janeiro e julho de 2022, foram registrados 12.906 focos de calor, uma alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento, registrou 11.364 focos.

No Cerrado, entre janeiro e julho de 2022, o INPE computou 17.582 focos, uma alta de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 16.523 focos.

queimadas
foto: Christian Braga

Queimadas e degradação

A preocupação com o aumento das queimadas nos meses secos na Amazônia mobiliza organizações de pesquisa e da sociedade civil anualmente. Este é o caso do Climate Policy Initiative (CPI-PUC/Rio), que durante este mês de agosto vai realizar uma campanha em suas redes para trazer mais informações sobre #fogoflorestal e #queimadas.

A preocupação da organização é que, com aumento das queimadas, a degradação na Amazônia traga resultados ainda piores do que o desmatamento. A degradação – perda gradual de vegetação – é uma ameaça relevante à preservação da floresta. 

Entre 2017 e 2020, o sistema Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (DETER) do INPE emitiu uma média de 17.000 quilômetros quadrados de alertas de degradação florestal por ano. Isso é quase o dobro da área desmatada anualmente medida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) neste mesmo período. 

As queimadas são uma das principais causas de degradação florestal na Amazônia. Entre 2017 e 2020, os alertas referentes a áreas queimadas na Amazônia representaram 70% da área degradada detectada pelo DETER.

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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