Governo brasileiro negocia com Elon Musk para prover internet na Amazônia

O governo brasileiro iniciou conversas com Elon Musk, CEO da SpaceX, para uma pareceria que fornecerá internet via satélite para o interior da Amazônia e ajudará a monitorar o desmatamento ilegal na região, informou o Ministério das Comunicações nesta quarta-feira, 17.

O ministro Fábio Faria se reuniu com o bilionário na cidade texana de Austin, nos Estados Unidos, na segunda-feira, 15, para tratar de um possível acordo no qual a SpaceX forneceria o seu serviço de internet satelital, o Starlink, a escolas e unidades de saúde situadas em áreas remotas, segundo o ministério.

Além disso, a SpaceX utilizaria os seus satélites para a preservação da floresta amazônica, através do monitoramento de desmatamentos e incêndios ilegais, acrescentou o Ministério das Comunicações.

“Conversamos sobre questões ambientais e sobre como conectar as pessoas em escolas rurais no Brasil”, disse Faria em um vídeo publicado no Twitter após o encontro com o magnata. “Estou muito entusiasmado para iniciar uma parceria entre a Starlink, a SpaceX e o Brasil”, acrescentou.

Musk, por sua vez, disse que estava “ansioso com a possibilidade de proporcionar conectividade às pessoas menos conectadas no Brasil” e para ajudar a “assegurar a preservação da Amazônia”.

Um porta-voz do Ministério das Comunicações disse à AFP que o encontro foi apenas “um primeiro passo” e que ainda não há uma data estipulada para a assinatura de um acordo.

A Starlink utiliza uma “constelação” com mais de 1.500 satélites que orbitam em baixa altitude para prover serviços de internet que podem ser acessados da maior parte do planeta, o que inclui áreas remotas como a Amazônia.

O serviço poderia representar o início de uma revolução de conectividade no Brasil, onde cerca de 40 milhões de pessoas têm dificuldades de acesso à internet, o que equivale a 19% da população.

Faria afirmou que as conversas com a companhia espacial privada americana têm como objetivo principal levar internet a todas as escolas rurais do Brasil, e também às reservas indígenas e outras áreas remotas.

As conversas acontecem no momento em que o governo do presidente Jair Bolsonaro tenta rebater as críticas internacionais que o responsabilizam pelo aumento do desmatamento na Amazônia, uma região considerada vital para combater a mudança climática, por seu discurso favorável às atividades extrativistas em áreas protegidas da floresta tropical.

Desde que Bolsonaro tomou posse em 2019, o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou de uma média de 6.500 km² por ano, registrada na década anterior, para cerca de 10.000 km², de acordo com os dados do governo baseados em imagens de satélite.

Fonte: A Tarde

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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