Governadores driblam Bolsonaro e tentam articular ações ambientais com Biden nos EUA

Com o relacionamento Brasil-EUA em compasso de espera, governadores brasileiros estão tentando se aproximar do novo governo norte-americano para estabelecer parcerias em prol de iniciativas socioambientais, sem o envolvimento de Brasília. No Valor, Daniela Chiaretti escreveu sobre a movimentação do grupo Governadores pelo Clima, que reúne 21 chefes do Executivo dos estados brasileiros: a coalizão pretende enviar uma carta à Casa Branca nas próximas semanas para, enquanto possível, se qualificar como recipiente de recursos dos EUA para proteção da Amazônia.

Além de iniciativas de combate ao desmatamento e preservação da floresta, o grupo propõe também novos compromissos de redução de emissões de carbono, intensificação da transição energética para fontes renováveis, proteção dos Povos Indígenas e melhoria da eficiência na agropecuária. A carta vem sendo elaborada em parceria com o Centro Brasil no Clima (CBC), com a participação de cientistas como Carlos Nobre (USP) e Tasso Azevedo (MapBiomas), além de especialistas de outras oito entidades do Brasil e dos EUA.

Em tempo: Para o ex-ministro e embaixador Rubens Ricupero, a cúpula global que os EUA estão articulando para o dia 22 de abril será a “última chance” para o Brasil retomar algum prestígio internacional na agenda climática. Em entrevista à Veja, Ricupero esboça o que seria uma solução racional para o governo brasileiro recuperar parte de sua imagem e mudar definitivamente o tom de sua diplomacia climática sob Bolsonaro. No entanto, ele é bastante cético sobre a capacidade de Bolsonaro, Araújo & Cia. de abandonarem o radicalismo caolho dos últimos dois anos. “O Brasil terá uma oportunidade única. O caminho mais inteligente seria o país se comprometer a cumprir as metas de combate ao desmatamento estipuladas no Acordo de Paris, algo que hoje não está sendo feito, e ir ainda além. Mas o caminho mais provável é que o país escolha ‘jogar para a plateia’ e alegar que o problema é o dinheiro e que a comunidade internacional não ajuda”, lamentou o ex-ministro.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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