Google une inteligência artificial e bioquímica para rastreio de madeira retirada da Amazônia

Braço filantrópico do Google, a Google.org se juntou à ONG The Nature Conservancy (TNC) para apoiar um projeto que utiliza inteligência artificial (IA) e bioquímica para rastrear a madeira extraída da Amazônia. Por meio de aplicativo e site, a plataforma “Digitais da Floresta” vai permitir saber se a madeira foi retirada da Floresta Amazônica de forma legal ou clandestina.

O “Digitais da Floresta” vai usar isótopos estáveis, moléculas de carbono, oxigênio e nitrogênio presentes nas árvores para identificar seu “DNA”. Durante a vida, as árvores absorvem água e outros elementos químicos, principalmente do solo, e acabam apresentando uma composição isotópica semelhante à do local onde vivem.

É uma espécie de ‘impressão digital’ isotópica única. É assim que a iniciativa buscará identificar de onde vem a madeira”, explicou ao Metrópoles a diretora-executiva da TNC no Brasil, Frineia Rezende.

Além de doar R$ 5,4 milhões ao “Digitais da Floresta”, o Google vai disponibilizar especialistas em machine learning (ML), geolocalização, UX Design e gerenciamento de projetos para o desenvolvimento da plataforma, por meio de uma base de dados que utiliza inteligência artificial para estimar a área de retirada da madeira.
Google
Exploração de madeira em Rondônia. Crédito: Vicente Sampaio/Imaflora

O projeto de rastreamento da madeira amazônica é desenvolvido em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da USP; o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora); e a Trase. Junto aos pesquisadores da universidade paulista, a TNC Brasil analisa mais de 250 amostras de árvores nativas em 20 regiões do bioma, com foco nas espécies mais exploradas comercialmente.

O “Digitais da Floresta” e outros projetos para a região amazônica foram anunciados durante o evento “Sustentabilidade com o Google – Amazônia”, realizado em Belém (PA), na terça (4/4). g1Um só planetaExameCanaltech e Olhar digital destacaram a iniciativa.

Em tempo 1: O Google ainda anunciou que sua ferramenta Google Earth passou a incluir imagens do avanço do desmatamento na Amazônia até 2022. A atualização da plataforma com dados desde 2020 permite acompanhar o avanço da destruição da floresta, que atingiu índices recordes no governo Bolsonaro. A empresa ainda divulgou o lançamento de um sistema de detecção precoce de incêndios, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e a ampliação dos alertas para inundações, com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), relatam Folha e Metrópoles.

Em tempo 2: O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu em público a exploração de potássio em território indígena não demarcado e de uso tradicional do Povo Mura, no Amazonas, destaca a Folha.

O apoio de Alckmin à exploração mineral na região ocorreu em reunião do Conselho Administrativo da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) no final de março. A Justiça Federal do Amazonas suspendeu o licenciamento da atividade na área, sob a alegação de que as terras são de uso dos indígenas há cerca de 200 anos.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Entre desafios logísticos, pressão internacional e transição climática, a indústria do Amazonas consolidou uma experiência singular de desenvolvimento associado à floresta em pé, com mulheres assumindo papel cada vez mais estratégico nos espaços de liderança, inovação e transformação regional.

Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?

A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados...

Carro movido a hidrogênio mira recorde mundial de velocidade e emissão zero

Carro movido a hidrogênio da JCB mira recorde mundial de velocidade e reforça o potencial da tecnologia limpa na mobilidade.

Eco Invest Brasil: Leilão decide investir R$ 13,2 bi para bioeconomia e infraestrutura no país

Eco Invest Brasil destrava R$ 13,2 bilhões para bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura verde, com foco na Amazônia Legal.