Obras federais como rodovias, usinas e ferrovias podem impactar 66% das Terras Indígenas

O risco também é grande para as comunidades indígenas isoladas. Segundo o estudo, 70% das Áreas Protegidas com a presença de indígenas isolados estão ameaçadas por essas obras federais, totalizando 22 áreas protegidas em risco iminente.

O Instituto Socioambiental (ISA) divulgou no mês passado um balanço do legado de devastação deixado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para os Povos Indígenas brasileiros. O livro “Povos Indígenas no Brasil 2017-2022” aborda os reflexos do pior período pós-redemocratização para a causa indígena no Brasil.

O documento destacou em particular o impacto potencial das obras de infraestrutura aprovadas e iniciadas no antigo governo. De acordo com a análise, 397 Terras Indígenas podem ser impactadas por futuras obras, como a construção de rodovias, ferrovias e usinas hidrelétricas. Assim, 2/3 dos territórios indígenas no país enfrentam o risco de desmatamento, invasão de terras e conflito fundiário decorrentes desses empreendimentos.

O risco também é grande para as comunidades indígenas isoladas. Segundo o estudo, 70% das Áreas Protegidas com a presença de indígenas isolados estão ameaçadas por essas obras, totalizando 22 áreas protegidas em risco iminente.

obras federais
Acervo FUNAI

“As usinas hidrelétricas e as estradas são os empreendimentos que mais geram impacto ou têm maior abrangência em termos de área impactada”, explicou Antonio Oviedo, do ISA, à Folha. Entre os efeitos citados, estão o fluxo intenso de trabalhadores que chegam à região, a chegada de invasores interessados em grilar as terras, com reflexos na taxa de desmatamento e nos índices de violência nos territórios indígenas.

CBN Amazônia e Poder360 também repercutiram o estudo do ISA.

Em tempo: Na revista The New Yorker, o jornalista Jon Lee Anderson abordou os desafios do governo Lula e dos Povos Indígenas e defensores do meio ambiente para reverter o quadro desastroso deixado por Bolsonaro na Amazônia.

A reportagem destacou as dificuldades enfrentadas pelos fiscais ambientais e pelas comunidades nativas, como a intensificação do garimpo, a extração ilegal de madeira, a violência contra populações indígenas e o avanço do crime organizado na cadeia criminosa ambiental.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Nova enzima sustentável na indústria de papel promete corte de poluentes

Nova enzima sustentável na indústria de papel reduz químicos tóxicos e avança com solução baseada em resíduos agrícolas e bioeconomia.

Idesam oferece até R$ 200 mil em prêmios no Desafio Bioinovação Amazônia

Idesam abre inscrições para desafio de bioinovação na Amazônia, com prêmios de até R$ 200 mil e apoio técnico para soluções sustentáveis.

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.