“O que Denis Benchimol Minev defende não é apenas uma agenda empresarial, mas um projeto de país — em que o setor privado assume protagonismo, pavimentando o caminho para uma Amazônia que prospere com a floresta em pé”
Coluna Follow-Up
A história da Amazônia contemporânea não pode ser contada sem mencionar Samuel Benchimol (1923–2002). Intelectual, economista, empresário e professor, Samuel foi pioneiro em mostrar ao Brasil e ao mundo – durante a Rio-92, a Conferência da Terra – que desenvolvimento econômico e conservação da floresta não são opostos, mas complementares.
Protagonista da Bemol e da Fogás, membro da Academia Amazonense de Letras e autor de dezenas de obras sobre a Amazônia, Samuel Benchimol deixou como legado a ideia de que a floresta deve estar a serviço do bem-estar humano — e que a prosperidade amazônica só se sustenta quando alicerçada em ciência, cultura e empreendedorismo e rima com sustentabilidade.
Conhecimento é poder: a formação de Denis
Neto desse pensador, Denis Minev cresceu entre as ideias de sustentabilidade e os exemplos práticos de resiliência empresarial. Formado em Economia em Stanford e com MBA em Wharton, acumulou experiência como analista do Goldman Sachs e secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas.
Essa jornada internacional deu-lhe ferramentas para atuar com a mesma ousadia do avô: combinar visão global e compromisso local. Sua fala é clara: a Amazônia precisa ser tratada como o maior ativo de carbono e biodiversidade do planeta, mas também como território de 30 milhões de brasileiros que necessitam de desenvolvimento digno.
Bemol: um laboratório de sustentabilidade
Sob sua liderança, a Bemol deixou de ser apenas a maior varejista da Amazônia Ocidental e transformou-se em plataforma de impacto social e ambiental.
- Inventário e compensação de carbono por meio de sistemas agroflorestais.
- Formação tecnológica local e inclusão de povos indígenas e refugiados.
- Adoção de padrões internacionais de governança ESG e busca pela certificação de Empresa B.Além disso, a Bemol inova no varejo digital e financeiro com soluções como a UME, fintech voltada a oferecer crédito e inclusão financeira em comunidades antes isoladas.
Mutirão regenerativo: plantar o futuro
Na véspera da COP30, Denis lançou a proposta de um mutirão regenerativo para a Amazônia. O plano é ousado: regenerar 50 mil hectares por ano com sistemas agroflorestais, formar 10 mil empreendedores e atrair R$ 50 mil de investimento por hectare, com retorno de 120% no mercado de carbono.
A meta é simples e ambiciosa: transformar a Amazônia em credora ambiental do mundo, demonstrando que carbono pode ser ativo econômico e financiar cadeias de bioeconomia com benefícios diretos para comunidades locais.
Inovação para transformar o cotidiano amazônico
Se a floresta é laboratório vivo, as cidades amazônicas são campo de desafios urgentes. Denis defende que inovação tecnológica seja aplicada para resolver problemas de mobilidade e infraestrutura urbana.
De canoas autônomas a barcos voadores, de startups locais a parcerias com a Finep, sua visão é de que ciência e tecnologia podem revolucionar o cotidiano da região — levando saúde, educação e dignidade a populações antes invisibilizadas.
Uma Amazônia próspera e plural
No NeoSummit COP30, Denis foi categórico: “O sucesso da COP não pode ser medido em novembro, mas em dez anos, quando tivermos empresas amazônicas de reflorestamento e agricultura regenerativa abrindo capital na B3” .
Essa fala sintetiza sua missão: pensar além da bioeconomia clássica e propor um modelo que engloba conhecimento, infraestrutura, inclusão, governança e justiça climática.
O que Denis Benchimol Minev defende não é apenas uma agenda empresarial, mas um projeto de país — em que o setor privado assume protagonismo, pavimentando o caminho para uma Amazônia que prospere com a floresta em pé.
Coluna Follow-Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas às 4ªs, 5ªs e 6ªs, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal BrasilAmazoniaAgora.