Política da República e Política da Sombra

“Nesta data de 11 de setembro de 2025, a Suprema Corte do Brasil sentenciou à prisão representantes, guindados pela chamada política da sombra, deixando claro que a democracia não se curva diante da enganação, da traição e do oportunismo”

Na tradição clássica, a política é a mais elevada das artes humanas. Seu fim é ordenar a vida em comum com base na justiça, na equidade e na liberdade. Ela se alimenta do debate público, do respeito às regras coletivamente estabelecidas e da busca pelo bem comum. Essa é a política da República, que se compromete com a dignidade da vida social e com a construção de instituições sólidas.

Mas há também uma política da sombra, que se infiltra nos subterrâneos da vida pública. Nela, a mentira se converte em método, a traição em recurso e o oportunismo em virtude aparente. Essa política não deseja organizar a sociedade, mas submetê-la; não procura fortalecer a confiança, mas explorá-la; não busca construir a paz, mas sim domesticar a liberdade.

O Valor da Confiança e o Risco da Manipulação

Pesquisas nacionais e internacionais mostram um dado persistente: a desconfiança da população em relação às instituições políticas. Essa descrença não é um traço exclusivo de um país, mas uma tendência global. Ainda assim, em certos contextos, essa fragilidade é explorada de maneira deliberada — a fé, a força e o ressentimento são mobilizados não para sustentar a democracia, mas para corroê-la.

O perigo surge quando o apelo à pacificação se converte em álibi para a impunidade. Nesse cenário, o que se apresenta como gesto de reconciliação é, na verdade, um sinal verde para o avanço da política da sombra. Em vez de cicatrizar feridas, reforça-se a tentação autoritária, que passa a se alimentar da tolerância com o intolerável.

politica da sombra
Foto divulgação

Ameaças e Consequências

Nesta data de 11 de setembro de 2025, a Suprema Corte do país sentenciou à prisão representantes – o ex-presidente Jair Bolsonaro à frente – da chamada política das sombras, deixando claro que a democracia não se curva diante da enganação, da traição e do oportunismo. Essa decisão reafirma que a verdadeira pacificação não nasce do esquecimento, mas da justiça; que a confiança social não pode ser transformada em arma de manipulação, mas deve ser cultivada como base do bem comum; que a política fundada no medo, na mentira e na exploração não conduz à ordem, mas sim à ruína. 

Ao fixar limites claros, a Suprema Corte entrega à sociedade uma certeza histórica: a democracia tem mecanismos de defesa, e sua vigência não se negocia. Acima de tudo, essa sentença torna-se um antídoto contra a tentação do golpismo, desestimulando o flerte com alternativas sombrias que, sob o pretexto da ordem, escondem apenas a ambição totalitária.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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