Empresas da França são condenadas por comprarem madeira ilegal da Amazônia brasileira

Após serem denunciadas pelo Greenpeace em 2018, duas empresas francesas foram punidas pela justiça da França pela compra de madeira ilegal do Brasil

A ISB France enfrentou condenação no tribunal penal francês por comercializar madeira oriunda do Brasil sem cumprir as verificações estipuladas pela regulamentação europeia. A denúncia inicial foi feita pelo Greenpeace Brasil em 2018.

A empresa foi sentenciada a pagar uma multa de 100 mil euros por infringir a lei, além de compensar o Greenpeace França, a France Nature Environnement e a Canopée Association por danos morais.

Empresas da França são condenadas por comprarem madeira ilegal da Amazônia brasileira
Foto: Paulo Pereira | Greenpeace

Impacto e repercussão

Rômulo Batista, representante do Greenpeace Brasil, destacou: “Esta condenação é resultado de uma investigação e denúncia da nossa organização e representa um marco na discussão sobre a importação de madeira na França.” Ele expressa a esperança de que “a nova legislação europeia sobre importação de produtos oriundos de desmatamento seja aplicada com mais rigor e agilidade.”

O Greenpeace alerta para os riscos da exploração fraudulenta de árvores como o ipê, que pode levar à extinção da espécie e causar danos irreparáveis à floresta. Rômulo acrescenta: “Os impactos da extração ilegal de madeira na Amazônia são evidentes, desde a degradação florestal até a perda de biodiversidade e a crescente violência rural. Esperamos que esta ação desencoraje ainda mais a exploração ilegal.”

Contexto histórico

Esta condenação segue a primeira penalização criminal de uma empresa por introduzir madeira ilegal no mercado francês, após a aprovação de uma lei sobre importações que contribuem para o desmatamento. A legislação atual incorpora a anterior regulamentação europeia sobre madeira. Anteriormente, a empresa Pierre Robert foi penalizada com uma multa de 20 mil euros, devido ao menor volume de madeira importado.

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Exploração de madeira em Rondônia – Foto: Vicente Sampaio/Imaflora

Desvendando a fraude

Em 2018, uma pesquisa conduzida pelo Greenpeace Brasil, em colaboração com o Ibama e o Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP, descobriu que certas árvores listadas como ipê, ou estavam superestimadas em volume ou simplesmente não existiam.

O relatório “Árvores Imaginárias, Destruição Real” detalha o processo ilegal. Para explorar madeira na Amazônia, é necessário fornecer um inventário florestal. Com base nisso, são emitidos créditos para transporte e venda. Contudo, o estudo revelou uma inflação nos volumes listados, gerando créditos falsos que legitimavam madeira ilegalmente extraída.

Em 2019, o Greenpeace França, em conjunto com outras organizações, denunciou a Pierre Robert por importar madeira de ipê do Pará em 2017, sem as verificações necessárias. Esta condenação foi a primeira após a implementação da regulamentação europeia em junho de 2023.

Com informações do CicloVivo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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